-- - - - - - - - - - - -- - - - - - - -Jornal do Commercio - Recife, 31 de dezembro de 1998

ANO SANTO
Paisagens estonteantes aguardam o peregrino

No ano 813 o então bispo da região da Galícia, Teodomiro, foi informado da existência de uma fina chuva de estrelas - o Campus Stellae -, que iluminava o céu e também o local de um sepulcro desconhecido. O bispo mandou investigar e, após as escavações, descobriu-se o jazigo com o nome do apóstolo Tiago, enterrado ali pelos seus discípulos depois de sua decapitação por Herodes no ano 44, na Palestina.

O rei Alfonso II mandou construir um santuário no lugar, que mais tarde se transformou na cidade de Compostela. A tradição do Caminho como uma das maiores rotas de peregrinação do Ocidente desde a Idade Média começou desde então e se mantém viva a cada dia. As estatísticas indicam que, em 1997, mais de 25 mil pessoas fizeram o percurso, quase 18 mil deles a pé, enfretando as dificuldades com a limitação física e os problemas que são encontrados durante o Caminho. Diz a lenda que todas as dificuldades representam as etapas vividas pelas pessoas que "buscam o conhecimento superior e a paz interior".

Não é para menos. São 800 quilômetros - de Roncevalles (Navarra) até Santiago de Compostela - que alternam paisagens absolutamente fantásticas e relaxantes com trechos íngremes e solitários.

TURISMO - Na verdade, o que é historicamente uma das rotas mais importantes de peregrinação cristã, é hoje um dos principais roteiros turísticos da Espanha. Todo o percurso é ponteado por cidades medievais de arquitetura gótica, castelos, mosteiros, cidades amuralhadas e ruínas deixadas ainda pelos celtas. Vilarejos encatadores e ainda desconhecidos da maioria dos brasileiros estão por toda a região.

O itinerário mais tradicional é feito através de Somport ou Roncevalles, conhecidos como o caminho francês. Há outros dois acessos, o português (a partir do Porto, por Tuy) e o das Antúrias (Via de la Plata, Sevilha). O tempo de duração chega a 35/40 dias para quem se aventura a pé, e oito dias, no mínimo, para quem vai de carro.

Certamente o peregrino/turista vai encontrar inúmeros atrativos onde não podem ser esquecidos a execelência da gastronomia local, a base de frutos do mar e peixes, sempre acompanhada dos saborosos vinhos de La Rioja ou Ribeiro, colocados entre os melhores do mundo.

No roteiro, dedique-se a conhecer cidades como a sossegada Léon, com sua arquitetura românica e uma das mais belas catedrais construída em gótico francês. Burgos, com seus edifícios que remontam ao século 12, também deve ser desvendada. Em Logronho, a capital da região vinícola, um convite irrecusável para descansar ajudado por uma boa taça de vinho.

A chegada a Santiago de Compostela é o momento máximo e redentor para quem fez o trajeto à procura de respostas para as questões do espírito. É o momento de celebrar e perpetuar os rituais peregrinos: encaminhar-se diretamente à Catedral, apoiar a mão na coluna central do Pórtico da Glória e agradecer. Por tudo! (C.B.)


     

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