- - .................................................-Jornal do Commercio - Recife, 03 de janeiro de 1999

CRITÉRIOS
Tenho o kit de primeiros socorros, e daí?

Por ANA CRISTINA LIMA

Pela lei, todos são obrigados a ter um estojo de primeiros socorros no carro. Mas em caso de emergência, como agir e utilizar o material? "As pessoas deveriam ser orientadas sobre os procedimentos de primeiros socorros antes de andar com um kit por aí. Sem esse conhecimento ele terá pouca utilidade", disse a professora Maria Helena Chaves. "Confesso que só comprei o meu para cumprir a exigência da lei. Mal sei fazer um curativo".

Questionamento desse tipo será comum entre a população, avalia o diretor do grupamento de medicina pré-hospitalar do Corpo de Bombeiros, Leonardo de Paiva. Até porque, revela ele, o curso de primeiros socorros não é obrigatório para todos os motoristas e ainda não foram definidos os critérios para a sua regulamentação. É que de acordo com a resolução do Contran, o conhecimento de primeiros socorros será exigido apenas na prova escrita dos candidatos à habilitação inicial e na renovação da carteira, no Detran.

Para socorrer uma vítima de acidente, a primeira coisa a se fazer é proteger o local da ocorrência, evitar aglomeração e facilitar o trânsito, salienta Leonardo. Em seguida, deve-se sinalizar a pista para evitar novos acidentes e acionar o Corpo de Bombeiros pelo fone 193. Nas situações em que a vítima sofre parada respiratória e cardíaca, o procedimento correto é realizar a respiração boca a boca e reanimação cardiopulmonar. "Mas para isso é preciso um treinamento anterior", enfatiza o major.

KIT - Com o estojo à mão, coloque as luvas. "Elas são importantes para proteger contra contaminação", avisa o diretor do grupamento de medicina pré-hospitalar dos Bombeiros. A gaze serve para conter hemorragia, fazendo a compressão direta sobre o local do ferimento.

A bandagem triangular é indicada para a imobilização (braço, perna ou locais com luxação). A tesoura sem ponta será útil para cortar o cinto de segurança e desprender a vítima, ou mesmo gaze e esparadrapo utilizados. A fita crepe é para fixar a bandagem.

Um outro item que devia ter sido incorporado ao kit de primeiros socorros é o colar cervical. "É comum as pessoas machucarem o pescoço nos acidentes de trânsito". O colar imobiliza a região, protegendo a coluna. "Ele é descartável e fácil de colocar", afirma Paiva.

"A exigência do kit é, na verdade, o primeiro passo para a conscientização da cidadania", ressalta o major Leonardo. O Corpo de Bombeiros atende, em média, 500 colisões onde pelo menos 50% das vítimas são transportadas de maneira inadequada por curiosos, antes da chegada da equipe. Entre os procedimentos que não devem ser adotados na hora de salvar uma vítima de acidente de trânsito estão: a remoção da pessoa puxando pelo braço e perna; tirar a vítima presa nas ferragens do carro (só se houver risco de incêndio); recolocar as vísceras que ficaram expostas no lugar e mexer numa pessoa politraumatizada.


     

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