CRITÉRIOS
Tenho
o kit de primeiros socorros, e
daí?Por ANA CRISTINA LIMA
Pela lei, todos
são obrigados a ter um estojo de
primeiros socorros no carro. Mas
em caso de emergência, como agir
e utilizar o material? "As
pessoas deveriam ser orientadas
sobre os procedimentos de
primeiros socorros antes de andar
com um kit por aí. Sem esse
conhecimento ele terá pouca
utilidade", disse a
professora Maria Helena Chaves.
"Confesso que só comprei o
meu para cumprir a exigência da
lei. Mal sei fazer um
curativo".
Questionamento
desse tipo será comum entre a
população, avalia o diretor do
grupamento de medicina
pré-hospitalar do Corpo de
Bombeiros, Leonardo de Paiva.
Até porque, revela ele, o curso
de primeiros socorros não é
obrigatório para todos os
motoristas e ainda não foram
definidos os critérios para a
sua regulamentação. É que de
acordo com a resolução do
Contran, o conhecimento de
primeiros socorros será exigido
apenas na prova escrita dos
candidatos à habilitação
inicial e na renovação da
carteira, no Detran.
Para socorrer
uma vítima de acidente, a
primeira coisa a se fazer é
proteger o local da ocorrência,
evitar aglomeração e facilitar
o trânsito, salienta Leonardo.
Em seguida, deve-se sinalizar a
pista para evitar novos acidentes
e acionar o Corpo de Bombeiros
pelo fone 193. Nas situações em
que a vítima sofre parada
respiratória e cardíaca, o
procedimento correto é realizar
a respiração boca a boca e
reanimação cardiopulmonar.
"Mas para isso é preciso um
treinamento anterior",
enfatiza o major.
KIT -
Com o estojo à mão, coloque as
luvas. "Elas são
importantes para proteger contra
contaminação", avisa o
diretor do grupamento de medicina
pré-hospitalar dos Bombeiros. A
gaze serve para conter
hemorragia, fazendo a compressão
direta sobre o local do
ferimento.
A bandagem
triangular é indicada para a
imobilização (braço, perna ou
locais com luxação). A tesoura
sem ponta será útil para cortar
o cinto de segurança e
desprender a vítima, ou mesmo
gaze e esparadrapo utilizados. A
fita crepe é para fixar a
bandagem.
Um outro item
que devia ter sido incorporado ao
kit de primeiros socorros é o
colar cervical. "É comum as
pessoas machucarem o pescoço nos
acidentes de trânsito". O
colar imobiliza a região,
protegendo a coluna. "Ele é
descartável e fácil de
colocar", afirma Paiva.
"A
exigência do kit é, na verdade,
o primeiro passo para a
conscientização da
cidadania", ressalta o major
Leonardo. O Corpo de Bombeiros
atende, em média, 500 colisões
onde pelo menos 50% das vítimas
são transportadas de maneira
inadequada por curiosos, antes da
chegada da equipe. Entre os
procedimentos que não devem ser
adotados na hora de salvar uma
vítima de acidente de trânsito
estão: a remoção da pessoa
puxando pelo braço e perna;
tirar a vítima presa nas
ferragens do carro (só se houver
risco de incêndio); recolocar as
vísceras que ficaram expostas no
lugar e mexer numa pessoa
politraumatizada.