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DENÚNCIA
Bebê entra em coma após cirurgia


O que prometia ser o fim de um problema corriqueiro tornou-se um pesadelo para a família do garoto Marcos Antônio de Miranda Silva Filho, 11 meses completados ontem. O bebê foi internado no dia 8 de março no Hospital de Ortopedia e Fraturas, no Recife, para fazer uma cirurgia corretiva em um dos pés, mas saiu de lá em coma e desde então não enxerga, nem se movimenta. Só agora, quatro meses após a operação, o menino conseguiu uma ligeira recuperação e passou a se alimentar por via oral, mas não reage a estímulos e dificilmente poderá voltar a ser uma criança normal.

De acordo com o comerciante Marcos Antônio de Miranda Silva, pai do menino, desde o nascimento, ele vinha sendo acompanhado pelo médico Régis Andrade por conta do desvio nos dois pés. Com cinco meses, o bebê operou o pé esquerdo no Hospital de Ortopedia e Fraturas e tudo correu bem. No entanto, a cirurgia para correção do pé direito apresentou complicações e o garoto precisou ser transferido para uma UTI.

"A cirurgia começou às 9h15. Uma hora depois, meu filho teve uma diminuição de batimentos, seguida de convulsões. Mesmo assim, o médico e sua equipe, composta por uma anestesista e um assistente, prosseguiram com a operação por mais uma hora. Depois disso, o dr. Régis saiu da sala e quando perguntamos se tudo havia corrido bem, ele respondeu que da parte dele estava tudo certo", afirmou Marcos Silva.

Segundo o advogado Ademar Rigueira, vice-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil - seção Pernambuco (OAB-PE), o comerciante entrou com um processo contra o médico Régis Andrade não pela complicação ocorrida durante a cirurgia, mas sim pela "negligência diante da gravidade do fato". "Mesmo ciente de que a criança não estava bem, o médico prosseguiu com a operação. A cirurgia foi encerrada às 11h15, mas a criança só foi removida para uma UTI por volta das 15h", disse o advogado.

Desde então, o filho do comerciante Marcos Silva precisa de um batalhão de médicos, fisioterapeutas e enfermeiras para sobreviver. Mesmo contando com um plano de saúde, a família gasta em torno de R$ 3 mil por mês para cuidar do bebê. O quarto da criança foi transformado numa mini UTI e duas enfermeiras de revezam 24 horas por dia no acompanhamento do paciente.

"É preciso muito controle para suportar uma situação como essa. Nesses quatro meses, quase fui à falência e minha vida familiar mudou para pior. Além da luta no trabalho, ainda tem a barra de chegar em casa e encontrar um clima sempre pesado e a minha esposa chorando pelos cantos", lamentou Marcos Silva.

RESPOSTA - O médico Régis Andrade declarou que o fato ocorrido com o garoto Marcos Miranda Silva Filho foi um incidente que ele não pode definir claramente por não ser especialista no assunto. O médico lamentou que a criança não tenha se recuperado e acrescentou que apenas o Cremepe pode esclarecer o que houve e, se for o caso, punir os médicos envolvidos.

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Jornal do Commercio
Recife - 07.07.99
Quarta-feira