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EDUCAÇÃO
Professores estão sem salário

Com o final do semestre letivo, um grupo de 2.600 professores, contratados em fevereiro pela Secretaria de Educação do Estado (SEE), completou seis meses de trabalho "sem receber nem um centavo por isso", revelou o professor de literatura Otoniel Alves Alcântara. Os docentes garantem que não vão liberar as cadernetas dos estudantes até que sejam pagos os cinco salários atrasados.

O secretário-adjunto de Educação, Pierre Lucena, explicou que o atraso dos salários não foi provocado por falta de verbas. Segundo ele, a demora foi dos próprios professores em vencer a burocracia do contrato, que exigia a apresentação de documentos, como laudo médico. "Apesar dos problemas, cerca de 1.400 professores já receberam os salários. A situação do restante será regularizada até o final do mês".

"Em janeiro, quando a Secretaria nos convocou para fazer testes, o salário proposto foi de R$ 380,00 por mês, o que dá R$ 1,50 por hora-aula. Depois de assinarmos o contrato de um ano de duração, o valor caiu para R$ 225,00, mas nem isso recebemos", revelou Otoniel Alcântara, presidente de uma comissão de cem professores ainda não-remunerados.

Os docentes também reclamam da perda de gratificações, como o pó-de-giz, que representava um acréscimo de 50% nos salários. "Para completar, esse mês cortaram o vale-transporte e agora estamos pagando para trabalhar", disse o presidente da comissão.

Situação ainda mais delicada estão enfrentando cerca de 300 professores desse grupo. Além de não terem recebido os salários a que têm direito, estarão desempregados no próximo mês. Eles foram contratados como prestadores de serviço por seis meses, porque já haviam assinado minicontratos anteriormente.

"A repetição desse tipo de contrato não é permitida. Como não havia candidatos para substituir os professores ao final de seu contrato anterior, mantivemos esses profissionais como prestadores de serviço", justificou o secretário-adjunto de Educação.

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Jornal do Commercio
Recife - 07.07.99
Quarta-feira