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Os estragos da seca As informações estatísticas referentes ao ano de 1988, colhidas de diversas fontes e sintetizadas pela Sudene em sua "Carta de Conjuntura Nordeste do Brasil" (janeiro-abril, 1999), já foram bastante divulgadas, mas ainda nos trazem algumas sugestões para comentários. Através delas pode-se, entre outras coisas, avaliar o estrago causado pelo segundo ano seguido de seca, o que provocou uma queda do produto agropecuário da ordem de 23,0%. Até o Maranhão, que também faz parte da jurisdição da Superintendência do Desenvolvimento do Norte (Sudan), apresentou decréscimo na produção dos campos. A exceção foi Alagoas, ao registrar acréscimo no cultivo da cana-de-açúcar, do fumo, da mandioca e do coco. Graças à configuração geográfica - larga no litoral, estreita no interior -, destacou-se por ter tido um menor número de municípios castigados pela seca. O que é se tem de reconhecer, falando do Nordeste globalmente, é que o flagelo não causou o mesmo impacto provocado em décadas anteriores, com êxodo para cidades de outras regiões. Registre-se, de logo, que os demais setores da economia são, hoje, muito mais dinâmicos do que no passado. Atualmente, a participação da agropecuária corresponde a menos de 10% do PIB da região, enquanto a indústria participa com 26,4% e os serviços com 64,5%. Houve uma época em que se considerava como "característica" do subdesenvolvimento o tamanho exagerado do setor primário, em relação aos setores secundário e terciário. Segundo tal critério (já abandonado pelos estudiosos mais acatados), o Nordeste brasileiro seria mais "desenvolvido" do que o país como um todo, pois a percentagem da atividade agropecuária no conjunto do PIB regional é de apenas 9,1%, enquanto a do Brasil eleva-se a 11,1%. Segundo a Carta de Conjuntura da Sudene, em comentário sobre a atuação da agropecuária nordestina, a seca continuada "provocou uma queda no PIB dessa atividade da ordem de -23,0%, o que ocasionou a perda de renda no valor de R$ 4,9 bilhões, a preços médios do ano de 1998, em relação a 1997". E o pior de tudo é que já no ano anterior, também em função da estiagem, a atividade havia sofrido uma queda de -29,7%. Como todos sabem, a falta de chuvas não atinge indistintamente os vários estados da região. Dos 1.385 municípios que mais sofreram com a estiagem, no ano passado, 257 situam-se na Bahia, 221 no Piauí, 181 no Ceará, 156 no Rio Grande do Norte, 193 na Paraíba, 127 em Pernambuco, 50 em Alagoas e 33 em Sergipe. Acrescentem-se a esses, 140 municípios de Minas Gerais e 27 do Espírito Santo, também incluídos, por artifícios legais, na área de jurisdição da Sudene. Estes dois últimos aparecem como beneficiários dos incentivos e outras providências administrativas, mas não pesam nos quadros de perdas e ganhos de renda do setor agropecuário referentes ao Nordeste. Diz a Carta de Conjuntura da Sudene que o Produto Interno Bruto do ano passado ficou acima do que fora estimado com base em anos de grandes secas, graças também a "últimos anos, que passou a incorporar novas culturas, desenvolver agricultura irrigada na Bacia do São Francisco e em alguns perímetros de irrigação de outras bacias (Parnaíba, Jaguaribe, Apodi-Mossoró) voltada para fruticultura e produtos tradicionalmente de sequeiro". Mais ainda: no Agreste, em torno das serras úmidas, implantaram-se atividades de avicultura e horticultura modernas, enquanto vem se expandindo a exploração dos cerrados a oeste da Bahia e a sudoeste do Maranhão e sul do Piauí, onde surgiu em anos recentes "uma promissora agricultura de grãos que se encontra em plena expansão". Alguma coisa vem mudando, no Nordeste. E isso está contribuindo para que a região consiga conviver melhor com as estiagens periódicas. Se muito ainda há por fazer, pelo menos os caminhos estão sendo abertos para que a seca deixe de ser pretexto para a estagnação e o atraso da região como um todo. |
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