DECISÃO
A primeira batalhaFavoritismo, retrospecto, qualidade da
equipe, melhor campanha na competição. Esses aspectos
podem até indicar um vencedor, mas, levando-se em conta
a rivalidade de duas equipes, também podem,
naturalmente, cair por terra. E é isso que levará a
torcida ao Arruda, hoje à noite: a certeza de que, num
clássico como este, uma equipe pode se superar. E dobrar
o inimigo. Como fez o próprio Santa Cruz na decisão do
segundo turno contra o Sport. Hoje, novamente,
rubro-negros e tricolores estarão frente a frente na
primeira partida do play-off decisivo. Se vencer uma e
empatar outra, o Sport será declarado campeão. Já o
Santa, precisa de uma vitória e dois empates para
provocar uma extra. Isso porque entra em desvantagem.
Venceu apenas um turno, enquanto o Sport ganhou dois.
Para o Santa Cruz esse é o jogo que
pode acabar com a vantagem de três empates do Sport, o
jejum de gols de Paulinho McLaren em clássicos e os
gritos de "Tetracampeão!", bradados pela
torcida rubro-negra aos quatro ventos, desde domingo
passado. Quase todo o time considerado ideal pelo
técnico Otacílio Gonçalves estará em campo - apenas o
zagueiro Almandoz e o lateral-direito Filipe Alvim estão
de fora. Tudo já foi falado, ensinado e treinado. Agora
é esperar pelo apito inicial de Márcio Rezende de
Freitas.
Dentre todas as preocupações, a que
mais assusta o torcedor coral é a marcação na defesa e
meio-de-campo, justamente os trunfos do Tricolor na
conquista do segundo turno. Nos últimos dois jogos
(contra Sport e Náutico), sete bolas vazaram as redes do
Santa. O zagueiro Cléber não vê culpa apenas no
sistema defensivo. "Quem vê só os gols vai pensar
que a culpa é da defesa, mas o time todo tem que marcar,
senão sobrecarrega", disse.
Mesmo há poucos jogos atuando ao lado
de Eleomar, Cléber apontou que uma possível falta de
entrosamento não existe, pois os dois costumam conversar
bastante para sanar os erros. "O entrosamento está
legal, apesar desses gols que tomamos", observou.
Eleomar, seu companheiro de zaga, bate
na mesma tecla: no seu entender a conversa funciona como
um complemento aos treinos no dia-a-dia. O defensor
ensina que melhor é neutralizar as ações ofensivas do
adversário no "nascedouro" da jogada.
"Tem que neutralizar lá no meio-de-campo e pegar
rápido no contra-ataque", prega.
Na sua primeira decisão de campeonato,
o lateral-direito Arley garante que o peso de uma final
não vai afetar seu desempenho. "Já estou
acostumado em jogar aqui com casa cheia. Agora é fazer o
que o professor pediu e mostrar que tenho
condições", ressaltou.
VANTAGEM OU DESVANTAGEM? - Todos
no Arruda estão conscientes de que o caminho até a
glória é bastante sinuoso. No entanto, o goleiro
Marcelo acredita que uma vitória hoje equilibra o
confronto. "É o bastante para ganhar o
play-off", argumentou. E é verdade: se vencer uma e
empatar as outras duas, no jogo extra os dois times
entram em igualdade de condições, podendo o Campeonato
ser decidido até nas penalidades.
Só que Marcelo vai ter o artilheiro do
Campeonato pela frente. Nos seis encontros deste ano,
Leonardo ainda não fez o arqueiro ir buscar a bola no
fundo das redes. "Isso não tem nada a ver. O
Adriano fez um monte de gols na gente e olha aí",
lembrou, referindo-se à eliminação do Náutico da
competição.
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