LG_jc.gif (3670 bytes)


DOIS TOQUES
Lula Carlos

O favorito

O que passou, passou, e lugar de chorar é na cama. Não adianta lembrar que o Náutico, durante o Campeonato, venceu cinco clássicos e ficou fora da final, que o Santa Cruz só venceu um e está decidindo o título com o Sport, que Marcelino Tavares inventou um pênalti contra o Náutico, no jogo com o Porto, e acabou com a vantagem que o Náutico tinha sobre o Sport.

Não adianta lembrar o empurrão de Nildo em George, no gol que empurrou o Sport à vitória, o pênalti de Márcio no jogo com o Vitória, e o gol que Leonardo não festejou por conta do impedimento escandaloso. Não vale a pena lembrar a coincidência do Porto, do empresário Cadmo, engrossar com Náutico e Santa Cruz e abrir as pernas para o Sport. E tantas outras coincidências.

Mas uma coisa não se pode negar: o Sport tem o melhor time, o melhor banco, tem dinheiro, é clube da Primeira Divisão do futebol brasileiro, tem estrutura, é organizado, os dirigentes são brigões, topam qualquer parada, e para mexer com um clube assim é preciso ter peito. O Sport escolhe juiz, muda regulamento, manda porque pode e obdece quem tem juízo.

E por ser o melhor, e cheio de vantagens, o Sport é o favorito já no jogo desta noite. O Santa Cruz não tem pra onde correr. Vai nadar, feito o Náutico, e morrer no Canal do Arruda. É o que parece. Só ganhou um clássico, minha gente, e está decidindo o título por obra e graça do acaso. Por acaso, ganhou o segundo turno.

O Náutico foi bem melhor, merecia estar na disputa, mas no meio do caminho havia um apito. Aliás, mais de um apito. O Náutico, este ano, viveu cercado de apitos azucrinando os seus tímpanos. Esse quadro de juízes da FPF é o quadro mais triste já pintado no futebol pernambucano. Não tem moldura, a tela é barata, e a tinta não tem brilho. Sai de baixo, Cantalice, que nem Da Vinci restaura esse quadro.

lulac@jc.com.br


Jornal do Commercio
Recife - 07.07.99
Terça-feira