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Regina Pitoscia

Bolsa cede a boatos e tem queda baixa

O mercado de ações não resistiu à pressão de venda para realização de lucros. A disposição dos investidores de, após seis pregões de altas consecutivas, embolsar lucros vendendo ações que se valorizaram nesse período foi reforçada por alguns boatos. Um deles dava conta de que uma agência de classificação de crédito elevaria o risco do país e a outra, de que o ministro Pedro Malan estaria sendo substituído na Fazenda por Armínio Fraga, presidente do Banco Central.

A Bolsa de São Paulo fechou com queda de 2,20%, sem se animar com a alta, mantida quase ao longo de todo o dia, pela Bolsa de Nova York. A reversão de alta ocorreu apenas na parte final do pregão e a Bolsa nova-iorquina fechou com discreta baixa de 0,04% ou menos 4,12 pontos.

A Bolsa está sem fatos novos e sem fluxo de capital, internacional e doméstico, comentam analistas para justificar a falta de fôlego do mercado de ações, mesmo depois que o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) indicou que o viés dos juros passou de alta para neutro há duas semanas. A menos, portanto, que surja algum fato positivo, hipótese improvável nestes próximos dias, o mercado de ações pode permanecer pressionado por vendas para realização de lucros, avaliam analistas e operadores.

Os próximos pregões, ademais, tendem a permanecer pouco movimentados por causa do feriado de sexta-feira, dia da Revolução Constitucionalista, em São Paulo. Há quem vá além e projete pregões de pouco volume ao longo do mês por causa do recesso parlamentar, que contribui também para a falta de novidades.

Parte do mercado continua esperando que o Banco Central utilize o viés de baixa e reduza a taxa básica de juros, de 21% ao ano, antes da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) marcada para dia 27. O instrumento do viés de baixa, como está em vigor, possibilita que o BC corte os juros entre duas reuniões do Copom.

RENDA FIXA - Pela taxa máxima, os CDBs pagaram ontem 21% ao ano, ou rendimento bruto de 1,60% e líquido de 1,28% ao mês. No overnight, o Banco Central tomou dinheiro emprestado aos bancos pela taxa over de 20,91% ao ano.

Nas agências, onde a remuneração varia de acordo com a quantia aplicada, os bancos pagaram, em média, para uma aplicação de R$ 10 mil, 17,33% ao ano, ou 1,34% bruto e 1,07% líquido; R$ 30 mil, 18,47% ao ano, ou 1,42% bruto e 1,14% líquido; R$ 50 mil, 20,0%, ou 1,53% bruto e 1,22% líquido.

TENDÊNCIAS - Contratos futuros de juro negociados na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F) projetam alta para a taxa efetiva de 1,62% para 1,63%, até 2/8; de 1,63% para 1,66%, até 1º/9; de 1,57% para 1,62%, até 1º/10; de 1,57% para 1,60% até 1º/11; de 1,65% para 1,72%, até 1º/12; e de 1,96% para 2,05% até 3 de janeiro.

Ouro

Fechamento: R$ 15,15
Variação: alta de 1%

O ouro movimentado na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) fechou o pregão cotado por R$ 15,15 o grama, com valorização de 1%. O volume negociado foi de 34 kg. No mercado de Nova York, na Commodity Exchange (Comex), a onça-troy (31,104 gramas) de ouro foi cotada por US$ 257,30 nos contratos para liquidação em julho.

Dólar

As cotações do dólar permaneceram em alta nos câmbios comercial e paralelo. Pressionado por alguns boatos, o dólar comercial valorizou-se 0,74%, comprado por R$ 1,807 e vendido por R$ 1,780, no fechamento. No mercado paralelo, o avanço foi um pouco menor, de 0,16%, com o dólar comprado por R$ 1,807 e vendido por R$ 1,830.

Bolsas

A Bovespa recuou 2,20% interrompendo seis pregões de valorizações seguidas. A reversão de alta foi provocada pela realização de lucros com a venda de ações que se valorizaram nos últimos dias. As cinco maiores altas entre as 47 ações do Índice Bovespa (IBovespa) foram Telepar Celular PNB, 7,4%; Telepar PN, 6,4%; Ipiranga Petróleo PN, 3,9%; Telesp Celular ON, 3,5%; e Companhia Siderúrgica Nacional ON, 3,2%. As maiores baixas, Cesp PN, 5,4%; Klabin PB, 5,2%, Eletrobrás PNB e Copene PNA, 4,7%; e Celesc PNB, 4,5%.


Jornal do Commercio
Recife - 07.07. 99
Quarta-feira