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RUMO A 2000
Ferro teme isolamento do PT na eleição

por FABÍOLA MENDONÇA

O processo de discussão interna no PT sobre como conduzir a eleição para a Prefeitura do Recife, no ano que vem, pode levar o partido a se isolar das demais forças de esquerda, como aconteceu nas eleições de 1996. Na ocasião, Humberto Costa se negou a sair candidato porque a maioria do partido decidiu não se aliar ao então governador Miguel Arraes (PSB), e João Paulo disputou a eleição com Roberto Magalhães, encontrando dificuldade de apoio dentro do próprio PT. A história parece se repetir, pois a maior parte das tendências petistas é contra uma aliança ampla, onde estejam o PPS e PSDB. O único grupo que defende o apoio é a Unidade na Luta (UL), tendo Humberto como principal líder.

Preocupado com a possibilidade do episódio se repetir, o presidente regional do PT, deputado federal Fernando Ferro, disse que vai levar a discussão para a reunião da executiva, na próxima segunda-feira. Inicialmente, ele se coloca contrário a uma aliança com o PPS e PSDB, mas acha prematuro discutir a questão. "É preciso muita prudência e maturidade para o PT não se isolar como em 96. Sozinho, o partido não tem chance de vitória", avalia Ferro. A sindicalista Beatriz Gomes, da UL, critica a posição das demais tendências, acusando-as de adotar uma "política fechada e limitada, difícil de trabalhar politicamente".

A definição de Beatriz causa reação: "Estamos abertos ao diálogo, desde que a discussão não se afaste da história do PT. E não é porque uma pessoa deixa o PSDB que a gente vai se coligar. Tudo isso será levado em conta quando formos discutir políticas de alianças. O PPS não sabe o que quer: uma hora é governo, outra é oposição", rebate Paulo Ubiratan, da tendência Florestan Fernandes (FF). "Só vamos nos aliar com quem romper com os governos Federal e Estadual", acrescenta Sheila Oliveira, da Brasil Socialista (BS).

A Democracia Socialista (DS) também é contra a coligação com os dois partidos. "Acredito que esse é o sentimento não só de algumas tendência, mas da maioria da executiva do PT", ressalta Aloízio Camilo, da DS. "O PSDB pernambucano é o mesmo PSDB nacional. Como é que pode ser bom aqui e ruim em nível nacional?", considera Jesualdo Campos, de O Trabalho.

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Jornal do Commercio
Recife - 07.07.99
Quarta-feira