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ABASTECIMENTO Adutora é a solução para abastecer Sertão do Pajeú por PEDRO TINOCO O escritório regional do Departamento Nacional de Obras Contra a Seca (Dnocs) publicará, na próxima semana, um edital de licitação para elaboração do projeto básico da Adutora do Pajeú, que deverá captar água no lago artificial da Barragem de Itaparica, no Rio São Francisco, e distribuí-la para cerca de 17 cidades, no Sertão do Pajeú. De acordo com o diretor regional do Dnocs, Gaspar Uchôa, a obra deverá ficar pronta em 2002 e poderá transformar toda região, possibilitando até a perenização o Rio Pajeú. "Essa adutora vai provocar um salto de desenvolvimento naquela região", disse Uchôa. A construção da adutora beneficiará inicialmente cerca de 500 mil pessoas que vivem nas cidades de Floresta, Betânia, Serra Talhada, Flores, Triunfo, Afogados da Ingazeira e São José do Egito, entre outras. O projeto, que definirá o percurso da tubulação e as necessidades reais da obra ficará pronto em 60 dias. A licitação para a obra deverá sair, em setembro, enquanto a construção efetiva será iniciada, em janeiro do ano 2000, após a aprovação dos recursos necessários no Orçamento Geral da União (OGU). O Dnocs calcula que a adutora terá uma extensão de 300 quilômetros e custará, aproximadamente, R$ 30 milhões. O diretor do Dnocs explicou que a água da Adutora do Pajeú servirá, exclusivamente, para consumo humano. Com isso, tudo que for acumulado nas barragens de Serrinha, Jazigo, Cachoeirinha, Brotas, Rosário e Ingazeira, poderá ser utilizado para projetos de irrigação. "Nossa idéia é resolver definitivamente a necessidade básica da população. O que ficar nas barragens será usado na agricultura", comentou. Gaspar Uchôa acrescentou ainda que outras emendas para construção de mais três barragens (São Pedro, Santo Agostinho e Santo Antonio de Lima) serão colocadas no OGU pelo deputado federal Inocêncio Oliveira (PFL), que também vai solicitar os recursos para a Adutora. Segundo ele, essas intervenções servirão para perenizar o Rio Pajeú. INDÚSTRIA DA SECA - O diretor do Dnocs acredita que, com a Adutora do Pajeú, o drama do sertanejo daquela região por água para beber acaba. Acaba também a figura do carro-pipa e a "Indústria da Seca", que usa a falta d'água para garantir votos e dinheiro. Só para se ter uma idéia do volume de recursos envolvido no combate à seca, mensalmente, a Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa) gasta cerca de R$ 1 milhão com o pagamento de caminhões-pipa. "É, sem dúvida, uma solução simples e barata para o Pajeú. A região vai crescer muito, no futuro", afirmou. O deputado Inocêncio Oliveira disse que vai se empenhar pessoalmente pela liberação dos recursos. RECURSOS - Apesar de considerar importante para a região, o ex-presidente da Compesa e ex-secretário de Infra-Estrutura João Bosco Almeida está cético quanto à liberação de recursos por parte do Governo Federal para a construção da Adutora do Pajeú. "Todas as obras hídricas feitas com verbas da União andam a passos lentos", critica. Ele citou o exemplo da barragem do Jucazinho, que levou oito anos para ser construída e até hoje não conta com uma adutora. "Serrinha só ficou pronta depois de mais de vinte anos". O ex-secretário destaca ainda as obras inacabadas - é o caso da adutora do Oeste - e as outras que ainda nem saíram do papel, como a adutora do Moxotó. "Eu não sei quais as armas que o deputado Inocêncio Oliveira tem para conseguir recursos para a adutora", ironiza. "Talvez as verbas venham a ser liberadas mais rapidamente devido à gravidade da seca". Deixando de lado a questão da falta de financiamento, Bosco acredita na viabilidade da proposta do parlamentar. "Sempre achei que a solução do problema para aquela área estava no Rio São Francisco". Ele prefere não fazer comentários técnicos, uma vez que o estudo ainda não foi realizado e jamais fez parte dos projetos da administração passada. Segundo o ex-secretário, dentre os municípios apontados como futuros beneficiados pela adutora, Serra Talhada é a cidade que vive a situação mais grave de desabastecimento. "Afogados da Ingazeira, Jabitaca e Iguaraci, abastecidas pela Barragem do Rosário, também estão com problemas". Ele acrescentou que a barragem está sobrecarregada porque deveria está atendendo apenas a população de Afogados da Ingazeira. |
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