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SERGIPE Ecologia e diversão em todo o litoral por PEDRO TINOCO Se as praias de Aracaju encantam pela tranqüilidade e beleza, as que ficam mais afastadas da capital conquistam o turista pela emoção do encontro com lugares ainda originais, com gente simples e receptiva, uma dezena de festividades e, claro, boas "histórias" contadas pelos pescadores. São muitas e trazem paisagens bem variadas, longe dos centros urbanos, mas os destaques são Mangue Seco, ao sul, e Pirambu, ao norte. As duas contam com uma marca registrada comum: a presença de dunas móveis, perfeitas para os passeios de buggy, e a conscientização para os cuidados com o meio-ambiente. Mangue Seco - que na verdade pertence ao litoral baiano, mas tem Sergipe como portão de entrada - é um pontal habitado por cerca de 200 pescadores onde a natureza resolveu caprichar na hora de compor suas belezas naturais. Tudo é muito rústico. Desde o pequeno ancoradouro onde os turistas desembarcam do catamarã, as pequenas mas aconchegantes pousadas, até as palhoças espalhadas pela praia, praticamente virgem. Praia, aliás, que ficou conhecida no país inteiro depois que algumas cenas da novela exibida pela TV Globo e do filme Tieta do Agreste foram rodadas ali. As lembranças daquele período estão em toda parte, mas, principalmente, na cabeça dos moradores. Na época em que a atriz Sônia Braga interpretou a personagem criada por Jorge Amado, alguns pescadores tiveram o privilégio de ver ao vivo, várias vezes, aquilo que os cinéfilos só assistiram nas telas de cinema. Dizem eles que Sônia Braga costumava ficar "mais à vontade" depois das filmagens. Os turistas e curiosos não tinham acesso à praia, mas os nativos conseguiam, com facilidade, ver a atriz como veio ao mundo caminhando pelas dunas, que chegam a atingir cerca de 20 metros de altura em alguns locais, cobrindo casas e coqueiros inteiros dependendo de como sopra o vento. O acesso a Mangue Seco se dá através de embarcação tipo catamarã. O passeio completo dura seis horas e custa R$ 35,00. Inclui transporte do hotel até o local de embarque, na Praia do Crasto e a travessia pelo Rio Piauí, onde acontece a primeira parada para banho, no encontro com a foz do Rio Real. Depois da visita a Mangue Seco, o catamarã vai para a Ilha do Sossego, voltando em seguida ao local de embarque. Por conta da alta demanda, é aconselhável fazer reservas para o passeio (079-243.3744). FESTEJOS - Se existe uma cidade sinônimo de festa, em Sergipe, ela se chama Pirambu. O calendário de eventos está sempre cheio durante o ano todo, com destaque para o Carnaval - considerado o mais animado do estado. Só para se ter uma idéia, a cidade conta com uma população de oito mil habitantes, mas, durante o reinado de Momo, ela recebe mais 100 mil pessoas. E tem mais a Festa da Padroeira, Guerra das Cabacinhas, Culturarte, Torneio de Tênis de Praia, Moto Cross, Futebol de Areia e Campo, Jeep Show, Corrida de Canoas, Cavalgadas, Semana Santa, Festival do Camarão, Festas Juninas, Festival de Seresta e (ufa!) Réveillon. Como se tudo isso ainda fosse pouco, a prefeitura prepara agora mais uma atração, o Pirambrega, em julho. Mas não é só isso. A cidade também guarda outras surpresas, algumas de difícil acesso, mas que recompensam no final. É o caso da Lagoa do Sangradouro e da Cachoeira de Santa Isabel. A lagoa fica no meio das dunas e a queda d'água exige uma caminhada de dois quilômetros. Quem consegue chegar até lá afirma que o esforço compensa. Na Fazenda Arapiraca, uma pedra que os estudiosos dizem ser um marco da passagem dos fenícios, 1.600 anos antes de Cristo, mostra o local onde já foram encontrados ossos de animais pré-históricos. Nas areias da praia, escolhida pelas tartarugas marinhas como local de desova, a ordem é preservar a natureza. A cidade é sede do Projeto Tamar/Ibama, que começa a desenvolver o ecoturismo como forma alternativa de se tornar auto-sustentável. O roteiro do Tamar inclui visitas a sede do projeto, passeio de barco pelo manguezal e pela praia, ecossistema que conta com dunas móveis e mata de restinga. São 45 quilômetros de praia sob a proteção rigorosa dos ecologistas para que as tartarugas possam se livrar do risco de extinção. O litoral sergipano é o maior sítio reprodutivo da menor tartaruga do mundo, a lepidochelys olivacia. |
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