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SERGIPE III Passeios pelo rio São Francisco não podem faltar na programação É melhor nem ir a Sergipe se você não tiver tempo ou condições de chegar ao Rio São Francisco. O risco de achar que perdeu o melhor da viagem é certo. Estando lá, como deixar de fazer o passeio de catamarã pelo lago artificial formado pela represa da Hidrelétrica de Xingó? Não dá para dispensar a passagem pelo canyon - as enormes muralhas de pedra que, às vezes, parecem ter sido colocadas ali pelo homem, mas que são pura obra da natureza - e o banho nas águas frias do Velho Chico, que o povo da região diz até serem medicinais. A base da represa e ponto de partida para os dois passeios de catamarã pelo rio fica no município de Canindé do São Francisco, a 215 quilômetros de Aracaju. O primeiro roteiro parte do Restaurante Carrancas até o local conhecido como Paraíso Talhado, onde está programada a parada para banho. No percurso, o guia conta um pouco da história da construção da hidrelétrica, que custou US$ 3,7 bilhões e é considerada uma das mais modernas e baratas (?) do mundo. São 60 quilômetros de lago ou quatro milhões de metros cúbicos de água, suficientes para encher 500 mil piscinas olímpicas. Em alguns pontos, a profundidade chega a 110 metros. Enquanto ouve as informações, o turista vai apreciando lugares como o Morro dos Macacos - palco para piruetas de centenas de macacos prego -, a Pedra do Gavião ou o Morro do Japonês, até chegar à hidrovia do lago São José. Pelo lado direito, a uma distância de três quilômetros, chega-se a cidade de Olho d'água do Casado, em Alagoas, e pela esquerda, navegando mais 45 quilômetros, encontra-se Paulo Afonso, na Bahia. O passeio de três horas prossegue, e o guia conta que o catamarã está acima de um dos maiores sítios arqueológicos do mundo. E exemplifica: Na Fazenda São Justino, antes de ser inundada, pesquisadores da Universidade de Lyon, da França, encontraram 191 esqueletos, cerâmica, restos de fogueiras, enfeites e materiais de uso diário, provavelmente de um cemitério indígena. Na pesquisa, foram identificadas 14 áreas de arte rupestre. Uma parte do material encontrado pode ser vista no Eco Museu, do Xingó Park Hotel. LAMPIÃO - O segundo roteiro, que percorre a parte do leito do Rio São Francisco abaixo da represa, tem como principais atrações a cidade de Piranhas (AL), e a grota do Angico, em Poço Redondo (SE), local que marca o fim do ciclo do cangaço no Nordeste. No dia 28 de julho de 1938, Lampião, Maria Bonita e nove companheiros foram mortos lá. A trilha que vai até o último esconderijo de Lampião, em Angico, é o motivo principal da descida do rio. Do desembarque até a grota, são 750 metros pelo meio da caatinga. Você vai fazer o mesmo caminho da volante (polícia) comandada pelo tenente João Bezerra. O lugar é de difícil acesso, cheio de pedras e mosquitos, mas vale a visita. Uma lenda assegura que é possível até ouvir o zunido dos tiros disparados no confronto entre cangaceiros e policiais. No lugar onde tombaram Lampião e Luiz Pedro existem duas cruzes e uma placa com os nomes dos outros nove cangaceiros mortos. Todos tiveram as cabeças decepadas, levadas para Piranhas e expostas nos degraus da igreja. Em Piranhas, a parada recompensa pela simpatia do casario da cidade, emancipada há 112 anos. Os moradores se orgulham de contar que, em 1859, D. Pedro II se hospedou na cidade para conhecer as cachoeiras de Paulo Afonso. Depois da visita, o imperador "agilizou" a construção de uma linha da ferrovia que corta o Nordeste até Piranhas. (P.T.) |
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