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OCUPAÇÃO
Sem-terra invadem usina produtiva em São Paulo

CAMPINAS - Cerca de mil pessoas, lideradas pelo MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), ocuparam ontem, às 5h, em Porto Feliz (120 km de São Paulo), a fazenda Engenho d'Água, de 33 km2 e que produz 30 mil toneladas de cana-de-açúcar por ano, equivalentes a 3% do faturamento anual do grupo, de R$ 60 milhões, segundo a empresa.

"Foi um grande equívoco do MST", disse o gerente administrativo e financeiro da usina, Valdir Ambrósio. A usina já entrou com pedido de liminar na Justiça e conta com a possibilidade de a Polícia Militar forçar a desocupação da área a partir de hoje. A Polícia Civil de Porto Feliz informou que era esperada para hoje a chegada de 50 ônibus com mais famílias de sem-terra.

A reportagem apurou que o MST iniciou o cadastramento das famílias há seis meses e que a listagem totaliza 5.000 inscritos em todo o Estado. As famílias envolvidas receberam orientações e treinamento antes de fazer a ocupação. O movimento foi articulado pelo MST em nível estadual e envolveu sindicatos filiados à CUT (Central Única dos Trabalhadores), associações de moradores e o MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto), com base em Campinas. Para garantir o sigilo sobre o local e evitar um fracasso da operação, o MST trabalhou com a possibilidade de fazer a ocupação em três áreas diferentes no Estado. A definição do local só foi anunciada momentos antes da ação.

O gerente da usina disse que os sem-terra já retiraram parte da cana plantada para instalar seus alojamentos. Dez casas e um alojamento utilizado para instalar bóias-frias na época de safra foram ocupados.

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Jornal do Commercio
Recife - 08.02.99

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