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CARNAVAL II
O Recife em peso foi ao Municipal

por FLÁVIA DE GUSMÃO e
SCHNEIDER CARPEGIANNI

Com territórios bem demarcados, senhores e senhoras com muitíssima roupa faziam valer, suando em bica, a pequena fortuna que pagaram para ficar na parte superior da pirâmide, ops, do Clube Português - a melhor definição de dinheiro suado - durante o Baile Municipal, que aconteceu sábado passado. Enquanto isso, na parte inferior da pirâmide, ops, do clube, com pouquíssima roupa, aqueles que pagaram os R$ 15,00 do ingresso, divertiam-se pra valer ao som do manjado repertório da orquestra.

A turma que deixou para comprar os ingressos em cima da hora, na bilheteria do Clube Português, teve de adquiri-los nas mãos dos cambistas, pelo dobro do preço. Desde às 19 horas, todos os ingressos já haviam sido vendidos. Do lado de fora do clube, a Av. Rosa e Silva transformou-se numa verdadeira Faixa de Gaza, ou numa espécie de purgatório, por onde circulavam, diabos, anjos, bruxas e outros arquétipos que sempre povoam os bailes de carnaval.

Como, provavelmente, não existe coisa no mundo mais pessoal do que uma fantasia, a criatividade do público fazia um pedaço de pano transformar-se na peça fundamental para a construção de uma nova personagem (ganhou que usou pouco pano, o calor era insuportável). Para aqueles que foram ao baile sem fantasia alguma, no lado de fora do clube, era possível comprar por R$ 5,00 um básico colar de flores havaiano. Tudo isso para atender a exigência de vestuário: ou rigor, ou fantasia, ou fica de fora.

Na sua 35ª versão, o Baile Municipal parece estar cada vez mais revigorado, firmando-se como uma prévia obrigatória para os que curtem esse tipo de atividade. Literalmente, todas as castas da cidade estão ali representadas: os que fazem e os que mandam fazer e isso é que é o bom da democracia carnavalesca.



Jornal do Commercio
Recife - 08.02.99