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CARNAVAL IV
Só faltou convidar a animação

por FLÁVIA DE GUSMÃO

Caranguejo no Caçuá realizou, no último sábado, uma de sua prévias mais desanimadas em oito anos de existência. Talvez tenha contribuído para isso o tempo feio que fazia, uma tarde mormacenta, com ameaça constante de desabar um temporal, enfatizada por chuviscos constantes. Talvez tenha sido a hora escolhida: em tempo de semana pré-pré, o que não faltam são festas que se estendem até altas horas da madrugada, sempre com alto teor etílico. O Siri na Lata mesmo, no dia anterior, embora seja declaradamente rival do crustáceo no caçuá, deve ter arregimentado boa parte das hostes caranguejeiras.

Não se sabe. O fato é que a orquestra era boa e, salvo alguns mais persistentes, poucas pessoas deixaram suas cadeiras de plástico para fazer o passo, preferindo ficar agarrados às suas latas de cerveja tépida. Também teve o seguinte: faltou energia, o que deve ter contribuído para que os freezers cessassem temporariamente sua nobre função de refrigerar o precioso líquido. Outra conseqüência: ir ao toalete da Soparia, sem luz, era exercício de advinhação.

Tudo isso retardou a apresentação daquela que seria a estrela da tarde. A banda de Paulo Rafael só subiu ao palco muito mais tarde do que o início da festa, ao meio-dia, e foi responsável por insuflar algum ânimo nos foliões, com seu repertório recheado com sucessos de Lenine e outros pernambucanos ilustres.

A grande irreverência que sempre caracterizou as prévias e o desfile do Caranguejo no Caçuá, em Olinda, certamente não foi convidada. Não houve fantasia, nem criatividade, talvez porque o Caranga tenha desistido de vez do formato baile e abraçado a concepção de uma prévia de onde se vai "direto da praia". Ficou mais para um encontro de conhecidos em torno de uma cervejada no Pólo Pina do que a preparação de uma agremiação carnavalesca que já fez muito barulho, por nada e por tudo.



Jornal do Commercio
Recife - 08.02.99