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CARNAVAL VI
O Siri se entregou à mulher mascarada com lingerie preta

por SCHNEIDER CARPEGGIANI

Em uma caricatura, os detalhes mais relevantes de uma pessoa ou de um fato são ressaltados com uma pitada de humor, que nem sempre agrada ao objeto retratado. Vendo as coisas por esse ângulo, o Carnaval é uma grande caricatura da vida. Quando fevereiro chega, os acontecimentos e personagens, que marcaram os últimos doze meses, transformam-se nos principais adereços da folia. O bloco Siri na Lata é um indiscutível mestre nessa arte. O tema da sua festa deste ano, que aconteceu, sábado passado, no Cais da Alfândega, só poderia ser um: o símbolo sexual sem identidade e sobrenome, mais conhecido como Tiazinha.

Uma burocrática seleção de frevo recebia os primeiros participantes da festa, que este ano acertou em cheio na escolha do local. A área descoberta do Cais da Alfândega proporcionou um clima descontraído, contrastando com o ar sisudo que muitos convidados insistiam em demonstrar.

Cara feia mascarada à parte. A festa começou mesmo com o show da Versão Brasileira, em uma das suas últimas apresentações com Marrom, que vai seguir carreira solo. A banda tem uma boa presença de palco e conseguiu levantar a parte do público disposto a dançar, porque, para a outra parte, aquela era uma festa apenas para ver, (tentar) conversar e ser visto.

"Vou fazer tudo o que uma Tiazinha pernambucana é capaz de fazer", comentava, nos bastidores, a modelo Rivete Vieira, a Tiazinha cover da noite. Por causa do empecilho da máscara, a Tiazinha não é bem uma personalidade, mas sim uma personagem como o Pato Donald e o Mickey. Talvez por isso, o público não estivesse nem aí se quem estava por lá era a verdadeira ou a falsa, o importante era ter uma mulher de lingerie, chicote e mascarada rebolando no palco. Desejo esse prontamente atendido, depois do show da Versão Brasileira, ao som de Puro Ecstasy, do Barão Vermelho.



Jornal do Commercio
Recife - 08.02.99