LG_jc.gif (3670 bytes)

CARNAVAL
Parceria faz folião ferver debaixo d'água

por LUCE PEREIRA

Parecia até coisa combinada. O Sol, que amanheceu preguiçoso, danou-se a ferver quando o carro abre-alas do Bloco da Parceria despontou na avenida, trazendo o animado Rei Momo e a apimentada Rainha do Carnaval. Arrefeceu, depois, tentando deixar confortáveis milhares de foliões convidados a embarcar no Túnel do Tempo para uma viagem de saudade. E ao som de Madeira que Cupim não Rói, foram todos, aos poucos, sendo recepcionados por pierrôs, colombinas e arlequins, que dos seus carros, tão antigos quanto a memória dos melhores carnavais, saudavam a euforia geral com confetes e serpentinas.

Cabeças brancas, cabeças boas, cabeças de todas as idades balançaram na reverência aos estandartes de Marim dos Caetés, Pitombeira dos Quatro Cantos e Vassourinhas, enquanto o cantor Almir Rouche sugeria: "orgulhem-se de ser pernambucanos e batam na palma da mão". Obediência geral. Eram quinhentos mil braços erguidos? Era um milhão? Quem viu a Av. Boa Viagem coalhada, já ao meio-dia, jurava que qualquer palpite seria puro exercício de imprecisão.

Àquela altura, também era tarefa impossível tentar medir a alegria do anfitrião, o presidente do Grupo Bompreço, João Carlos Paes Mendonça, que do camarote VIP saudava a passagem de personagens e alegorias como se tudo aquilo fosse um desfile de lembranças. Boas como as que devem ter feito o governador Jarbas Vasconcelos não tirar os olhos da massa que coloria a avenida, ora encharcada de chuva, ora de suor.

DIABO LOURO - E nem os gringos resistiram quando o diabo louro Alceu Valença faiscou em cima do trio elétrico. Com passos desajeitados, tentavam a todo custo acompanhar a coreografia maravilhosa de gente íntima do frevo. Com certeza aquilo estava good demais. Tanto que a presidente da Cruzada, Geralda Farias, não sabia se cantava junto ou se mordia o picolé. E o maluco beleza, continuava provocando, com a música que consegue atiçar mais do que um tridente. "Olinda, quero cantar"... Coisa para mexer até com o coração de bons baianos, como o governador e o prefeito de Salvador, César Borges e Antonio Imbassahy, que na evolução do Túnel do Tempo foram saudados pelas bandas de axé music.

Difícil foi, quando já estavam todos "mal acostumados", recolher a alegria e abandonar a avenida, mesmo com a chuva sem querer saber de bandeira branca. Aqueles foliões desejavam era continuar ali, sendo parceiros até debaixo d'água.

________________________________________


Jornal do Commercio
Recife - 08.02.99