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CARNAVAL
Avenida explode em um caldeirão de ritmos

por PEDRO TINÔCO

Frevo, maracatu, ciranda, caboclinhos, mangue beat e o axé baiano. A Avenida Boa Viagem se transformou em um enorme "caldeirão de ritmos", ontem, durante a oitava edição do Bloco da Parceria. A alquimia entre os sons de Pernambuco e da Bahia foi perfeita. E o resultado da mistura não poderia ser outro, a não ser a expressão de felicidade que ficou estampada nos rostos de milhares de foliões.

Para começar a sacudir a massa não foi preciso nenhum trio elétrico. A emocionante abertura do desfile ficou por conta mesmo da Frevioca, que tocou clássicos da música pernambucana, levando o público à loucura a cada acorde. "Isso é que faz a diferença do Carnaval pernambucano para o resto do Brasil. É bonito demais", disse o turista paulista, Jonas Alves Guerra, que vai permanecer no estado até a quarta-feira de Cinzas.

Em um carro abre-alas, o Rei e a Rainha do Carnaval 99, André Luiz e Éricka Benício, frevavam incansavelmente. Um pouco mais atrás, estandartes de agremiações tradicionais de Olinda e os bonecos gigantes Parceria, Homem da Meia-Noite e Mulher do Dia anunciavam que o melhor Carnaval do mundo também acontece na velha Marim dos Caetés. Antes dos modernos trios elétricos invadirem a avenida, um mini-corso lembrou os antigos Carnavais com confetes, serpentinas, mela-mela e muito talco. A saudade bateu forte e os aplausos ecoaram por toda Avenida Boa Viagem.

HOMENAGEM - Almir Rouche e sua Banda Pinguim também valorizaram a música da "terra". Os foliões tiraram os pés do chão quando Chico Science foi homenageado. Alceu Valença exaltou a "genealogia" da verdadeira música nordestina citando Luiz Gonzaga e Luiz Bandeira. Imitando o Rei do Baião ele disse: "Vixe como tá tudo diferente! Antigamente a gente sentia o cheiro das meninas. Hoje, é só bundinha e mãozinha pra cima", brincou.

Depois de tanta pernambucanidade, foi a vez dos baianos tomarem conta do Bloco da Parceria. Araketu, Netinho, Cheiro de Amor e Chiclete com Banana, comandaram a festa até o início da noite. E o público ficou com saudade. "Já estou pensando no Parceria do ano 2000", comentou uma foliã.

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Jornal do Commercio
Recife - 08.02.99