LG_jc.gif (3670 bytes)

EXPERIÊNCIA
Biofábrica produz clones de vegetais

por LORENA MASCARENHAS

Numa época em que a clonagem de animais ainda é assunto controverso no meio científico e a de humanos é um tabu - apesar da recente liberação da pesquisa com células de embriões pelo governo dos Estados Unidos -, a experiência de copiar vegetais in vitro pode ser uma atividade lucrativa. A multiplicação de plantas em larga escala tem feito surgir algumas "fábricas" em Pernambuco.

No final do ano passado, as biólogas Cynthia de Albuquerque e Cláudia Ulisses deram início a uma microempresa que se propõe a comercializar, em grandes quantidades, mudas de plantas tropicais e frutíferas de alta padrão de qualidade. A Verde Vitro, nome da empresa, é a primeira a ser incubada na Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), no Laboratório de Cultura de Tecidos Vegetais, e tem como gestor o Instituto Tecnológico de Pernambuco (Itep).

A idéia das biólogas é atingir pequenos e grandes produtores que estão a procura de mudas livres de doenças, para plantarem no campo. Atualmente, estão sendo realizadas clonagem de antúrios (Anthurium andreanum), plantas muito utilizadas em ornamentação de cerimônias de casamento e festas. Com um mês de funcionamento da empresa, elas conseguiram obter cerca de mil mudas clonadas. "Apesar de o preço da planta ser um pouco mais alto que as comuns, o produtor pode ter certeza que está adquirindo um broto com características genéticas iguais às de uma planta normal, com a garantia de estar comprando uma muda saudável", diz Cynthia.

Mesmo com as vantagens da obtenção de espécies clonadas em laboratório, as biólogas ressaltam que as plantas multiplicadas in vitro não devem ser expostas a solos contaminados. "Depois de comprar uma muda clonada, os produtores devem ter cuidados especiais com o solo que vai abrigá-la. É necessário realizar testes de análise no terreno, pois ele também pode infectar o material limpo que irá ser plantado no local", alerta Cláudia.

A clonagem in vitro, ou micropropagação, consiste basicamente no cultivo de segmentos de plantas em tubos de ensaio, onde o vegetal é introduzido em um meio de cultura adequado, contendo vitaminas, nutrientes minerais e hormônios vegetais. Estes segmentos, que podem ser retirados de fragmentos de folhas, raízes e gemas (localizadas entre os galhos e folhas jovens da planta) são usados para obter de centenas a milhares de plantas idênticas. Estas, depois de multiplicadas, são plantadas.

"É uma forma mais rápida de multiplicar uma determinada espécie que apresenta características agronômicas desejáveis", explica a professora de fisiologia vegetal da UFRPE Lilia Willadino, uma das coordenadoras do Laboratório de Cultura de Tecidos Vegetais. Há cinco anos, o local desenvolve trabalhos de clonagem vegetal, técnica que tem mostrado ser de grande potencial prático em áreas agrícolas, florestais, na horticultura e floricultura.

Segundo Lilia, uma das maiores vantagens da micropropagação é a rapidez com que se pode produzir um grande número de mudas. "Um segmento de bananeira, por exemplo, pode resultar, no prazo de um ano, em aproximadamente mil mudas. Utilizando métodos tradicionais, esta planta produziria cerca de dez mudas em um ano", completa a bióloga Cláudia.

PESQUISAS - Com a micropropagação, é possível atingir um nível elevado de produtividade e qualidade dos grãos e frutos, produzindo plantas toleráveis a pragas e doenças. Através da limpeza clonal das mudas, segundo pesquisas feitas no Laboratório de Cultura de Tecidos Vegetais, é possível reproduzir clones de bananeiras tolerantes à salinidade. O problema é muito grave em perímetros irrigados do Nordeste e acarreta a redução da produtividade das plantações. Até agora, os testes realizados em laboratórios e casas de vegetação têm mostrado que os clones de bananeiras toleram a salinidade. O próximo passo é testar estas mudas no campo e observar suas reações.

Os projetos de pesquisas verificaram, também, que a técnica é aplicável em abacaxis infectados pelo fungo Fusarium subglutinans, causador da doença fusariose ou gomose do abacaxi. Usando mudas de abacaxi livres de fungos, é possível evitar a disseminação da doença para outras áreas que ainda não foram infectadas pelos mesmos.

Serviço: Verde Vitro - telefone 441.4577, ramal 386

________________________________________


Jornal do Commercio
Recife - 07.02.99