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ESPAÇO Pedras de Marte cairão em deserto na Terra PARIS - Em 2008, cairão do céu em uma região deserta da Terra "pedras" procedentes de Marte: não será devido a um cataclisma natural interplanetário, mas o resultado de uma operação científica inédita organizada em uma cooperação franco-americana. Amostras do solo do Planeta Vermelho serão trazidas à Terra entre abril e maio de 2008, como resultado da primeira missão MSR (Mars Sample Return), elaborada pelos cientistas da Nasa, que se associou no ano passado ao Centro Nacional de Estudos Especiais da França (Cnes). A organização da missão foi definida em dezembro e um documento a respeito está preparado para ser firmado pelos dois órgãos. A missão MRS se desenvolverá em duas fases. Em 2003, um foguete norte-americano Delta-III lançará para Marte um aterrissador que levará a bordo um "astromóvel" e um pequeno foguete de três andares (MAV). Este material aterrissará em Marte depois de uma viagem de onze meses. O veículo fará escavações de um ou dois metros de profundidade e recolherá as amostras do solo marciano. Colocados em uma esfera metálica de 3,6 quilos de peso e 15 centímetros de diâmetro, esses materiais serão postos pelo MAV em órbita baixa em torno do Planeta Marte. Em 2005, um foguete europeu Ariane-5 lançará, por sua vez, um aterrissador idêntico e um dispositivo orbital equipado com uma cápsula de retorno das amostras. Levará ainda quatro sondas Netlander, que serão lançadas sucessivamente. Aproveitando o freio da atmosfera marciana, o dispositivo orbital se colocará na mesma trajetória do container de 2003, o localizará através de um sistema de detecção luminosa e o capturará. Com um segundo contêiner, será feita uma operação idêntica e, em julho de 2007, o dispositivo orbital porá esse aparelho na trajetória de retorno à Terra, a 56 milhões de quilômetros de distância, aonde chegará entre abril e maio de 2008. QUARENTENA - A cápsula de descida, de 30 quilos de peso, suspensa por pára-quedas, aterrissará em uma região deserta, será recuperada e posta imediatamente em quarentena, a fim de avaliar uma eventual toxicidade para o meio ambiente terrestre desse material, que será considerado patrimônio da humanidade. Esse é o projeto. Seu êxito dependerá ainda, pelo menos parcialmente, da realização ou não da missão européia Mars Express, prevista para 2003 e já parcialmente organizada, mas que espera em maio a aprovação da conferência ministerial da Agência Espacial Européia. |
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