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ESTADOS II Volta da inflação pode ajudar o governo a ajustar suas contas RIO - O Governo está contando contando com alguns dos efeitos mais perversos da inflação para melhorar o resultado das suas contas. Essa é percepção compartilhada por economistas como Raul Velloso - um dos maiores especialistas em contas públicas do país - Lauro Farias, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), e Renê Garcia, ex-diretor da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e professor do Instituto Brasileiro do Mercado de Capitais (Ibmec). Velloso acha que o Governo enfrentará enorme desafio para atingir o superávit primário de 3% a 3,5% do PIB, como ficou acertado com o Fundo Monetário Internacional (FMI). Ele vê uma série de dificuldades para que a meta seja alcançada mas consegue vislumbrar pistas que podem indicar o caminho que será trilhado pela equipe do ministro da Fazenda, Pedro Malan. A primeira delas é de que o ajuste não poderá ser feito por intermédio do aumento da receita. Afinal, afirma o economista, não há mais o que fazer nessa área. "Eles já inventaram tudo que podiam inventar", afirma Raul Velloso. Se não vê muita margem para aumento na receita, o economista PAGINA: 5eco-8.apm FINAL DA COLUNA: 1acha ainda mais difícil que a meta seja alcançada por intermédio do corte de despesas, única maneira que concebe para o que chama de cortar o mal na carne. "Temos que enfrentar a hora da verdade e cortar despesas de pessoal", conclui Velloso. O economista lembra que 70% da despesa não-financeira da União e dos estados estão vinculados aos gastos com o funcionalismo público e a Previdência, os quais dependem de condições políticas. Para Lauro Farias, nos próximos 12 meses, a inflação não deve ser repassada aos salários dos servidores, enquanto a receita tributária tende a aumentar por causa dos aumentos de preços. "Com a inflação, criou-se um espaço para o ajustamento", avalia Lauro Farias. Renê Garcia acha que além da redução dos gastos com o funcionalismo público - que consome R$ 42 bilhões por ano - o Governo pode estar planejando contingenciar os desembolsos previstos no orçamento federal (que corresponde a 30% do PIB), aumentando por outro lado os ganhos com o imposto inflacionário (obtido com o dinheiro que circula na economia sem proteção). |
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