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A volta do cólera Doença típica de regiões pobres, a que é causada pelo vibrião do cólera está novamente grassando entre nós, como um anúncio do fracasso de todas as políticas que procuraram erradicar as degradantes desigualdades sociais e regionais no país. Segundo informações oficiais, ela cresce em nosso Estado de forma assustadora na Zona da Mata Norte, mas já foram confirmados casos também na Mata Sul, no Agreste e no Sertão. Registre-se que a Fundação Nacional de Saúde colocou toda a região nordestina sob "alerta epidemiológico", visando a incentivar a realização de campanhas educativas e de ações preventivas. Boa parte da população mais carente, que já tem dificuldade de consumir água tratada nos tempos normais, ainda está sujeita à falta de chuvas, aumentando a ocorrência de doenças epidêmicas como o cólera. Se começou a chover em vários municípios, a seca ainda é uma calamidade. E até no Grande Recife foi decretado estado de emergência. Mas, o problema não é exatamente este, e sim o da ignorância e desinformação. Quando ocorreu a última epidemia, nesta mesma década, os órgãos públicos começaram a veicular pelos meios de comunicação campanhas educativas estimulando o uso de água clorada e fervida. Essas campanhas são feitas apenas em situações extremadas. Todos gostaríamos de ver um esforço permanente no sentido de educar a população para se defender contra as epidemias, desde que pudesse ser feita a um custo menor do que a dos surtos publicitários, pagas pelos governos. Em Limoeiro, reuniram-se esta semana autoridades sanitárias de nível estadual e municipal, juntamente com outros setores, para discutir o assunto. Falou-se, inclusive, da situação dos reservatórios existentes. Uma das constatações anotadas: quando as barragens estão secas, junta-se tanta sujeira no fundo dos reservatórios, que a chegada de chuvas distribui sempre agentes propagadores de variadas doenças. A "bênção" dos céus pode-se transformar num novo martírio, para as populações ribeirinhas que passam a tomar água contaminada. Vírus e bactérias são coisas muito abstratas para populações simples, que só acreditam naquilo que pode ser pegado e cheirado. Uma transitória campanha de esclarecimento não é suficiente para convencê-las de que aquela água está repleta de inimigos, prontos para levar seus consumidores à morte. Daí, a necessidade de um trabalho informativo extenso e intenso, ao mesmo tempo. Numa região onde é grande a carência de saneamento básico, com grande parte da população sem dispor de água corrente, há essa necessidade de um trabalho educativo permanente, que se estenda para os deveres e direitos da cidadania. O secretário de Saúde de Pernambuco, Guilherme Robalinho, já demonstrou que tem capacidade para superar obstáculos. O seu novo desafio é impedir que o cólera se alastre no Estado, levando mais sofrimento e morte para os lares dos mais desassistidos. Em plena temporada de veraneio, e às vésperas do Carnaval que atrai milhares de pessoas, o Estado corre ainda o risco de ver seus planos na área do turismo serem prejudicados, como foram na epidemia anterior. É uma hora que exige um esforço conjunto do Governo, em todos os seus níveis, com envolvimento de várias secretarias e mobilização de associações de moradores, organizações não governamentais, enfim, da sociedade civil. É possível que somente quando o país reduzir drasticamente as suas desigualdades sociais e regionais, doenças da miséria como o cólera sejam definitivamente erradicadas. Mas, se extinguir as causas não está ao alcance dos governantes locais, reduzir os seus efeitos é nosso imperioso e inadiável dever. |
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