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GOVERNO/ESTADOS
Governadores apóiam decisão de FHC de não receber a oposição

Os governadores Jarbas Vasconcelos (PMDB), de Pernambuco; José Maranhão (PMDB), da Paraíba; e César Borges (PFL), da Bahia, criticaram ontem o ultimato que os governadores da oposição deram, ao Governo Federal, na última sexta-feira (05), para que fossem suspensas as retaliações contra os Estados inadimplentes com a União. Eles elogiaram a decisão do presidente Fernando Henrique de cancelar a reunião que teria amanhã com os oposicionistas. César Borges foi mais contundente, ao afirmar que a oposição "não está em condições de fazer qualquer exigência deste tipo".

Já Albano Franco (PSDB), governador de Sergipe, apresentou um discurso mais ameno, ao considerar "importantíssimo" o diálogo entre FHC e os governadores da oposição. "O importante é que haja um desarmamento de espíritos", complementou. Independentemente de qualquer encontro, Albano defendeu um tratamento igualitário para todos os Estados. Os governadores assistiram ontem ao desfile do bloco da Parceria, atendendo a convite do presidente do Sistema Jornal do Commercio de Comunicação, João Carlos Paes Mendonça.

Para Jarbas, o presidente "não tinha que se reunir com esse bloco". "Era um erro porque isso estimula a divisão", argumentou. Da mesma forma, ele também discorda que os governadores governistas devam promover um encontro isolado com FHC. "Ou se conversa com todos ao mesmo tempo ou com cada um separadamente."

Segundo Borges, a declaração feita pelo governador de Minas Gerais, Itamar Franco (PSDB), depois do encontro dos seis governadores oposicionistas, teve um tom ameaçador. "O presidente é soberano e legitimado pelo voto do povo e não pode ser encurralado desta forma por estar cumprindo a lei. As dívidas já foram renegociadas e uma nova mexida nos contratos está fora de cogitação", disse. Maranhão afirmou que a oposição fez tudo errado. "Na situação em que o País está não há justificativa para este tipo de pressão dos oposicionistas. Os Estados têm problemas e deveriam se unir para chegar ao consenso."

SEM COMUNICADO OFICIAL - O governador do Rio Grande do Sul, Olívio Dutra (PT), reafirmou ontem, em Palmeira das Missões (RS), que vai estar em Brasília amanhã para a reunião que estava agendada com o presidente Fernando Henrique. "Até agora não recebi nenhum comunicado oficial suspendendo o encontro", disse Olívio, para quem não há risco de constrangimento se não for recebido no Planalto.

O senador Pedro Simon (PMDB-RS) disse ontem que vai procurar FHC e os governadores para a realização de um acordo entre os dois grupos. "Está na hora de alguém dar um basta neste clima de confronto", justificou.

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Jornal do Commercio
Recife -08.02.99