![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
SAÚDE Ações contra cólera vão ser debatidas no Recife Secretários estaduais de Saúde do Nordeste se reúnem amanhã no Recife para estabelecer ações para o controle do surto de cólera. Apesar de os números serem preocupantes em cinco estados, o diretor do Centro Nacional de Epidemiologia do Ministério da Saúde, Jarbas Barbosa, afirmou que o carnaval e o conseqüente fluxo de turistas não são motivos de preocupação, porque o vibrião não circula nos locais onde se concentra a maioria dos eventos. As autoridades sanitárias estão reforçando o monitoramento no interior e nas favelas, onde as condições de saneamento propiciam o aparecimento dessa e de outras doenças. Esse trabalho, segundo Jarbas, é parte de uma ação já em desenvolvimento por agentes dos municípios e por programas de saúde da família. Cada estado apresentará suas propostas para debelar o cólera na região, mas há no mínimo duas que deverão ser imediatamente aproveitadas, segundo Jarbas. A do Ceará, que vem realizando, desde o surto da doença no estado em 1996, um programa de controle diarréico. Pernambuco propõe a vigilância de bacias hidrográficas, a partir da qual será possível identificar o cólera e outras doenças no curso dos rios. "Isso será um bom instrumento para mapear as bacias, sob o aspecto sanitário, e poderá ainda apontar prioridades de saneamento", assinalou Jarbas. Os secretários discutirão também o envolvimento de outros órgãos no controle do cólera. Os de meio ambiente e de abastecimento são os mais procurados. Exemplo disso é o Vale do Siriji, em São Vicente Férrer (105 km ao norte de Recife), onde se concentra o maior número de casos de cólera em Pernambuco. O distrito do Siriji, onde nasce o rio, não tem saneamento e os dejetos da população de três mil habitantes são despejados nas águas. Como agravante, a água disponível para consumo é utilizada em grande parte para irrigação por plantadores de banana. Sem água e exposta ao rio contaminado, a região registra casos de cólera ao longo de todo o curso do Siriji. Em Pernambuco, a cólera atinge 20 municípios. São 61 casos confirmados e seis óbitos em investigação: três em São Vicente Férrer e dois em Vicência, cidades do Vale do Siriji. As ações de saúde estão se concentrando no fortalecimento da vigilância, da prevenção e da educação. São ações de custo relativamente baixo, segundo Jarbas, R$ 3 milhões. A compra e a distribuição de hipoclorito de sódio custarão R$ 5 milhões. |
|