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CRISE CAMBIAL II
Desvalorização do Real torna inviáveis viagens ao Paraguai

da Sucursal

CARUARU - O motorista B.G.V, 45, que pediu à reportagem para ser identificado apenas como "Andarilho", revelou que a desvalorização do real vai tornar inviável as viagens para o Paraguai das pessoas que queiram negociar produtos importados comprados naquele país. Em seus três anos de atividades, ele afirma ter presenciado algo até então inimaginável na época da ciranda financeira. "Pela primeira vez na minha vida, quando passei a viajar para o Paraguai em 97, vi o dólar ser desprezado em relação à moeda brasileira, pois os paraguaios só queriam negociar em real", relembrou.

"Andarilho" divide suas viagens de Caruaru para o Paraguai em duas etapas - a alegria em conhecer novos lugares a cada curva, na esperança de conseguir produtos baratos que ajudavam a combater a falta de oportunidades de emprego, e a ansiedade da volta, onde se vivia o pesadelo de perder a mercadoria antes de concluir a viagem.

"Nos últimos anos a concorrência cresceu a tal ponto que muitos ambulantes passaram a vender a mercadoria pelo preço comprado no Paraguai, o que foi uma festa para os consumidores desses produtos", afirmou. Nos bons tempos, destacou que saíam de Caruaru para o Paraguai, em média, 15 ônibus por semana lotados de compradores, assegurando que pelo menos 80% das pessoas que negociam na feira do Paraguai já foram comprar mercadorias no país vizinho.

Das viagens ele só não guarda boas recordações das ações das polícias, seja federal, rodoviária, civil ou militar. "Teve até mesmo guarda noturno na Bahia que se achou no direito de garantir o extra, sob a ameaça de nos dedurar à polícia", lembrou. Conta que o "toco" (pagamento por fora) era pago em dinheiro ou mesmo mercadoria. Hoje ele considera uma loucura a pessoa ir ao Paraguai com o intuito de comprar mercadoria para revender. "De bom mesmo só a emoção nos 2.700 Km para São Paulo, e nos 1.150 restantes até a fronteira", lamentou. (R.P.)

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Jornal do Commercio
Recife - 07.02.99