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JUAZEIRO
Município é chamado de terra da alegria

Há cerca de uma década, o município de Juazeiro ganhou o título de Terra da Alegria, por suas festividades freqüentes durante o ano inteiro, envolvendo da orla fluvial ao centro da cidade. O título ainda é válido e é garantido, entre outras atrações, pelo bar e restaurante Vaporzinho, que funciona num barco construído em 1845 na América do Norte e que se encontra atracado em terra firme. Depois de navegar no rio Mississipi, a embarcação foi transferida para o Amazonas, chegando até o Velho Chico em 1909. Adquirido pela Prefeitura de Juazeiro, o Vaporzinho se tornou um cartão postal e atraiu, para os seus arredores, um complexo de bares que ficam sempre lotados, principalmente neste período de folia.

Num passeio pelo centro da cidade, muitas outras curiosidades podem ser apreciadas. Não pode faltar na programação uma visita ao Museu Regional, onde encontram-se peças que retratam o Sertão do São Francisco do Século 19. O capítulo mais procurado é o da história das navegações fluviais, que começarm com as famosas gaiolas. Como o museu fica na Praça da Bandeira, os amantes da Bossa Nova devem aproveitar o endereço para conhecer o casarão de número 20, onde nasceu o cantor e compositor João Gilberto, o principal ícone do movimento musical.

Nesta mesma praça está a Igreja Matriz e Catedral de Nossa Senhora das Grotas, outro ponto turístico, com construção datada de 1840. Em seu interior, a arte sacra do século passado domina o ambiente, com belas imagens e vitrais. A última reforma, em 1940, foi marcada pelos traços de artistas holandeses.

A religiosidade do juazeirense pode ser acompanhada em tom de espetáculo no período da Quaresma. É quando centenas de fiéis se reúnem para orar e cantar pelas almas no cemitério da cidade, através de dois cordões: os Alimentadores de Almas e os Displinadores, que se martirizam com chicotes de lâminas nas pontas.

Não se pode deixar, é claro, de conhecer o artesanato local, visitando os locais onde são vendidas as peças produzidas pelos artistas da região. As carrancas continuam sendo o ponto alto, com a missão mitológica regional de afastar os maus espíritos. Segundo a lenda, os perigos e temores fazem com que a fúria do rio se transforme na mais quieta mansidão.

Entre um programa e outro, o visitante ainda tem a oportunidade de provar (ou voltar a saborear) a famosa moqueca baiana ou aquele acarajé de primeira. Verdadeiras e falsas baianas dividem-se entre as ruas do município, vendendo as delícias da culinária local. (E.A.)

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Jornal do Commercio
Recife - 04.02.99