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TIBAU DO SUL Enquanto ainda se viaja pelo Nordeste por
FLÁVIA DE GUSMÃO Em seu best-seller Viaje na Viagem (auto-ajuda para turistas) (veja matéria na página 3), publicado pouco antes do dia negro para o real, o publicitário Ricardo Freire é profético: "Sabemos intuitivamente que temos de aproveitar nossos passaportes ao máximo, o mais rápido possível - enquanto o despertador não toca para avisar que esse negócio de moeda forte era só um sonho, daqueles que a gente tem depois da feijoada de sábado, quando cochila no sofá e baba na almofada". Dito e feito. O despertador tocou com a potência de uma sirene num dia de ressaca e várias viagens "praticamente fechadas" para o exterior duplicaram de preço e voltaram a ser o que eram: folders cuidadosamente colecionados, roteiros milimetricamente planejados, sonhos não realizados. Nessa hora, não há nada mais enervante do que ouvir a velha ladainha sobre como essa nova reviravolta vai ser boa para o turismo interno e blá blá blá. E eu com isso? E a minha Turquia? E os meus camelinhos? E aquela água sulfurosa de Pamukale? E toda a comida exótica que eu iria ingerir para depois arrotar de forma a causar inveja no vizinho? Perguntam os atingidos. A REVANCHE - Se existem destinos capazes de mudar o humor do mais contrafeito entre todos os "guilhotinados pela alta do dólar", certamente Tibau do Sul, onde fica a Praia da Pipa, no litoral Sul do Rio Grande do Norte, a 265 quilômetros do Recife, está entre eles. Ninguém está dizendo que o desapontamento vai desaparecer no primeiro contato com a vista que se descortina logo na entrada do município: um mar verde esmeralda, adornado por uma "ilha" de Mata Atlântica, falésias abruptas do mais profundo ocre. Mas, a última lembrança da sua acalentada viagem ao oriente exótico vai abandonar definitivamente a sua mente ao avistar o braço de mar que forma a Lagoa Guaraíras. Ou isso, ou você é duro na queda. Tibau do Sul e Pipa desenvolveram uma característica peculiar: estão localizadas num município que lida (como tantos outros) com escassez de verbas, mas conseguiram montar uma infraestrutura turística que, se não tem a assepsia e a infalibilidade daquelas do "Primeiro Mundo", dão banho em criatividade, descontração e, principalmente, cosmopolitismo. Tibau e Pipa foram adotados por gente do Brasil e do mundo como sua casa preferencial. Cada um que veio de um ponto do globo emprestou um pouco do que havia aprendido com a sua cultura e, misturado aos elementos nativos, ocasionou uma espécie de sincretismo turístico-social. Pipa é o local para onde se vai querendo ter tudo à mão: beleza natural, comunhão com a natureza, noites agitadas em bares, restaurantes e boates, tranqüilidade e esportes radicais, tudo dependendo de onde se escolhe para ficar. Tibau se comporta com mais discrição, preferindo apostar na dramaticidade de sua paisagem, como se dissesse: "Vão à Pipa se fartar de juventude, mas voltem para olhar o pôr-do-sol". Em Pipa e Tibau, a revanche contra todas as agruras que nos fazem passar a situação econômica vem a cavalo, de buggy ou de Land Rover. Uma perversa sensação de vitória nos assalta ao lembrarmos que pior seria se morássemos nas geladas estepes russas e ganhássemos em real. |
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