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URBANISMO Pau Ferro, último reduto rural do Recife Esqueça todos os conceitos de cidade urbanizada quando ouvir alguém dizer que mora no bairro de Pau Ferro, depois da Guabiraba, distante cerca de 20 quilômetros do centro do Recife. Lá, o ritmo de vida é outro e não se parece em nada com os demais 93 bairros recifenses, definidos pelo decreto 14.452/88. Para começo de conversa, não existem prédios de apartamentos, a maioria dos imóveis são granjas, não há uma única praça na localidade, o meio de transporte mais corrente é a bicicleta e a maior diversão noturna é a televisão. Barulho de carro, só mesmo para quem mora nas margens da Estrada de Aldeia, que faz a conexão dos moradores de Pau Ferro com o Recife, pela cidade de Camaragibe. A vida em Pau Ferro, o mais desconhecido bairro da metrópole do Recife, é semelhante à vida no campo: dorme-se com as galinhas e acorda-se com os galos. Grande parte dos granjeiros mora nas propriedades. "Pau Ferro sempre teve características rurais, uns plantam e outros criam, o clima é bom e o lugar é ótimo para viver", descreve o morador José Laureano Barbosa Filho, 70 anos, há 32 ocupando a mesma casa. Paraibano de Jacú, "distante três léguas de Campina Grande", ele chegou no local aos 11 anos de idade, acompanhando a família. "A gente veio tentar a sorte, matuto tem disso. Viemos a cavalo e logo nos adaptamos". Casado com uma paraibana de Pedra do Ingá, que conheceu em Pau Ferro, José Laureano trabalhou na roça, em usina, como empregado do comércio e depois como comerciante, sempre naquela região. "Não fiquei rico, mas tenho minha moral limpa", orgulha-se. Bom de prosa, ele se considera um "matuto da gema" e conta que já recebeu várias propostas para vender sua propriedade, todas recusadas. "Não sei quanto essa área vale e nem quero saber, se um dia isso for vendido, será pelos meus filhos". BICICLETA - Conhecido como José Galego, ele faz da sua casa ponto de apoio para estudantes e caseiros guardarem suas bicicletas, gratuitamente. "Eles vêm das áreas mais afastadas, deixam a bicicleta comigo, seguem de ônibus, e pegam na volta". A bicicleta é o meio de transporte mais usado na família de Josefa Silva, 33 anos de idade e há 28 no Loteamento Nossa Senhora Aparecida. Ela mora na Rua Rua São Pedro, junto com quatro irmãos - as cinco casas ocupam a mesma quadra. As crianças vão para a escola de bicicleta, assim como homens e mulheres usam o mesmo veículo para ir ao trabalho. "A vida aqui é diferente da cidade, a gente se sente no interior", diz Josefa Rita. Ela e o marido, José Francisco de Lima, têm um fiteiro na Estrada de Aldeia, a cinco quilômetros de onde moram. "O lugar é calmo e sem bagunça. A gente vive do trabalho para casa", conta José Francisco. O casal tem duas filhas. No loteamento, a água usada é de poço. Para Edvaldo José da Silva, 31 anos, irmão de Josefa Rita e zelador em uma escola de Pau Ferro, a vida hoje está melhor, no que se refere a transporte. Há pouco tempo, eles tinham de andar três quilômetros a pé, até a Estrada de Aldeia, para pegar um ônibus até Camaragibe e de lá, outro transporte até o centro do Recife. "Hoje, a gente pode apanhar um ônibus no loteamento, descer no trevo e lá mesmo pegar outra condução para o Recife. É por isso que tem tanta bicicleta por aqui", diz. Não há fábricas, nem indústrias em Pau Ferro. A pequena população - 251 habitantes - é formada por granjeiros, comerciantes e caseiros das granjas. |
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