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COMPORTAMENTO A maldição do ouro Rio Formoso, 13 de maio de 1977, fim de tarde. Um trator prepara o solo do Engenho Jindaí para a construção de uma estrada. Muitas pessoas acompanham o trabalho sem desconfiar que em mais alguns instantes suas vidas iriam sofrer uma mudança radical. A máquina continua escavando e passa perto de um pé de fruta-pão. De repente, a surpresa: o trator arranca do terreno um baú recheado de moedas de ouro. As peças se espalham pelo chão transformando a lenda da botija encantada em uma realidade concreta. Muita gente fica rica da noite para o dia. Os "sortudos" só não sabiam que sobre o tesouro pairava uma maldição. Hoje, 22 anos depois, todos, sem exceção, vivem na mais absoluta miséria. A primeira vítima da "Maldição do Ouro" foi o cortador de cana Amaro Augusto de Souza (Babau), 39 anos. Na época, ainda adolescente com 17 anos, Babau conseguiu levar para casa nada menos que 13,5 quilos de ouro maciço. Para juntar tantas moedas, ele conta que amarrou a boca da calça comprida que vestia com um cordão e encheu as pernas de ouro. "Eu não conseguia nem andar direito, mas voltei lá duas vezes". Após a coleta, Babau colocou tudo em duas sacolas e pesou na balança do engenho: 13,5 quilos de ouro. A cotação de quarta-feira indicava o grama por R$ 15,20. Experimente fazer a conta de quanto ele teria hoje. Mas a riqueza de Babau não durou 12 horas. Guardou tudo em casa e foi tomar cachaça para comemorar. Quando acordou no outro dia descobriu que havia sido traído pelo pai, que entregou tudo ao seu irmão, Reginaldo de Almeida, que desapareceu naquela madrugada mesmo. Depois do fatídico episódio, o cortador de cana ficou mentalmente perturbado. Hoje, vive com a esposa e sete filhos, de favor, em um cubículo de 2,5 metros quadrados, dentro da lama, emprestado pelo sogro. O ouro maldito também não trouxe sorte para José Alfredo dos Santos, que depois ganhou o apropriado apelido de Zeca da Moeda. Inicialmente, ele conseguiu 42 peças, mas foi comprando mais à medida que revendia para colecionadores. O negócio era tão lucrativo que ele chegou comprar uma Brasília (zero Km) com a venda de uma só moeda. O carro - que ele mandou pintar de dourado - custou 62 mil cruzeiros, na época, e a peça rara saiu por 76 mil. No início de tudo, Zeca também pediu empréstimos no banco para comprar o maior número possível de peças. Passou mais de um ano perseguindo uma moeda de 1822. O preço de mercado era de 600 mil cruzeiros, mas um colecionador se dispôs a pagar até um bilhão. "Comprei muitas e só comercializava com gente da alta. O valor histórico é muitas vezes maior que o peso do ouro. Viajei por todo o Nordeste. Quando tinha uma moeda rara, eles mandavam me buscar de avião. Ganhei muito dinheiro", lembra. A bonança, porém, durou pouco. Em menos de dois anos, Zeca viu o dinheiro e os bens desaparecerem. "O dinheiro sumia sem deixar explicação. Era algo incompreensível porque eu sabia administrar e não gastava com besteira", disse. Boa parte do dinheiro foi embora no tratamento de uma doença cardíaca da esposa, que depois faleceu. Hoje, Zeca não gosta de falar no assunto. Mora em uma casa de Cohab, em Rio Doce, Olinda, e trabalha como garçom. |
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