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TEATRO
Hoje não tem espetáculo

por JANAÍNA LIMA

A tradição do teatro pernambucano atravessa um momento bastante difícil. Além do baixo público apresentado pela maioria dos espetáculos em cartaz na cidade (o que vem inclusive reduzindo a duração das temporadas, que são encerradas precocemente), parte dos teatros de Olinda e Recife estão em reforma (ou prestes a iniciar este processo). A falta de verbas agrava ainda mais o problema e faz com que os projetos sejam tocados a passos de tartaruga, como é o caso do Teatro de Santa Izabel, fechado há cerca de cinco anos. Apesar das dificuldades, a ordem do dia é: correr para reinaugurar as salas de qualquer maneira no ano que vem. Enquanto 2000 não chega, o público pernambucano viaja na odisséia de encontrar diversão em eventos esporádicos, incapazes de substituir a riqueza de um Festival Nacional de Teatro, por exemplo, que acaba de ser cancelado por falta de verbas.

Depois de anos no ostracismo cultural, quebrado apenas por alguns eventos esporádicos, a Cidade Patrimônio da Humanidade, quer provar que respira cultura além dos três dias de folia. Famosa pelo seu carnaval, Olinda agora quer ficar famosa também como pólo de teatro. Além de contar com o único teatro específico para bonecos do País, o Teatro Maulengo Só-Riso, a cidade tem a seu favor o recém inaugurado Teatro Fernando Santa Cruz, localizado no Mercado Eufrásio Barbosa. Até o final do ano, mais um palco deverá ser entregue para a população: o do Cineteatro Duarte Coelho, que está em reforma desde outubro de 98.

A reforma do cinema integra o projeto de recuperação do Clube Atlântico e do casario da Praça João Lapa, já concluídos. "O projeto é uma parceria entre a Prefeitura de Olinda e o Ministério da Cultura, que disponibilizou uma verba de 800 mil reais, das quais 500 mil estão sendo gastas só com a restauração do cinema", anuncia Luiz Guilherme, diretor da secretaria de obras de Olinda, responsável pelo empreendimento.

Atualmente, a obra está em fase de acabamento, faltando apenas construir os camarins. "O prédio estava completamente destruído. Tivemos que refazer o telhado, o forro, trocamos o piso (que foi substituído para granito e alcatifa), que estava com sérias infiltrações e reformamos os banheiros. Também já foram adquiridas as novas poltronas", explica Luiz Guilherme. Foram construídos ainda o palco (com dimensão de 13m de largura por 14m de profundidade) e a bomboniere.

O orçamento de meio milhão, entretanto, não cobre as despesas com a parte interna do teatro, que incluem tratamento acústico, espaço cênico (com iluminação cênica), climatização, projeção mecânica e vestimenta cênica. Esta segunda parte da reforma vai consumir mais R$ 634 mil, verba que deverá vir novamente com o aval do Ministério da Cultura, através da Lei Rouanet. "O projeto já foi aprovado, mais ainda não captamos os recursos. De qualquer maneira, o tratamento acústico só pode ser feito após o final da reforma propriamente dita. A partir daí o prazo de entrega do cinema completamente equipado é de oito meses", adianta o secretário de planejamento de Olinda, Maurício Chaves.

HISTÓRIA - O Cine Duarte Coelho foi construído em 1941 e inaugurado em 16 de outubro de 1942, com a exibição do filme Uma Noite no Rio, protagonizado por Carmem Miranda. A sala peretencia às Empresas de Cinemas Reunidos, dirigida por Benjamim Ramos e possuía um letreiro bastante original para a época. "Era um arco em ferro, com o nome do cinema. Não temos notícia da peça original, por isso encomendamos uma cópia, que foi fabricada a partir das fotografias existentes do cinema".

A sala de projeção funcionou ativamente durante as décadas de 50 e 60, tendo sido posteriormente adquirido pelo grupo Severiano Ribeiro. No início da década de 80, a casa de projeção foi desapropriada pela Prefeitura de Olinda e tombada. Até outubro do ano passado, a casa estava fechada, e servia de esconderijo para malandros. "Servia de covil de bandidos", diz Guilherme. Com a inauguração do cineteatro, Olinda vai ganhar mais 350 poltronas para a diversão da comunidade.

MAIS REFORMA - A iniciativa de recuperação das salas de espetáculos de Olinda inclui ainda a reforma do Cine Bonsucesso, em funcionamento e localizado na Estrada do Bonsucesso. "A idéia é fazer a mesma adaptação do Duarte Coelho, será construído um palco, que deverá ser utilizado ainda como espaço de cursos de formação para alunos da rede municipal", explica o secretário de turismo de Olinda, Flávio Vital. O projeto dos cursos de teatro ainda não está definido, mas segundo Vital, será desenvolvido juntamente com a secretaria de educação do município.

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Jornal do Commercio
Recife - 10.09.99
Sexta-feira