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REFORMA AGRÁRIA
Polícia enfrenta os sem-terra e apreende a carga saqueada

SÃO BENTO DO UNA - A polícia recuperou na madrugada de ontem (09) parte da carga saqueada por integrantes do MST da última segunda-feira (06), que foram levadas de quatro caminhões interceptados num bloqueio ocorrido no KM-53 da BR-423, no município de Lajedo. A mercadoria foi encontrada na fazenda Santa Rita de Cássia, pertencente ao empresário João Dourado Filho, ocupada pelos agricultores rurais no último dia oito de Agosto. Um dos trabalhadores, Josias de Barro Ferreira, 20, foi detido e encaminhado para a delegacia de São Bento do Una. O recolhimento da carga obedeceu à uma Açõ de Busca e Apreensão emitida pelo juiz de São Bento do Una, Gilvan Macedo dos Santos, em atendimento ao juiz de Lajedo, Feliciano Lima da Silva.

Dos 1800 kg de queijo, 11.000 quilos de produtos de bomboniere e cercad de duas toneladas de pão levadas pelos agricultores, a polícial conseguiu recuperar apenas cerca de 30% da mercadoria. Apenas a carga de sabão em pó - 11.560kg - conseguiu ser recuperada em maior quantidade, cerca de 80% do produto, para alíbio do motorista de uma das carretas saqueadas, José Luciano dos Santos, 23. "Dos males o menor, pois eu não esperavaque a mercadoria fosse recuperada", explicou o motorista, que calculou um prejuízo se R$ 2.000,00.

A operação teve a participação de 80 homens dos Batalhões da Polícia Militar de Caruaru, Belo Jardim e Gravatá, além de seis agentes da polícia civil, coordenados pelos delegados Carlos Eduardo Pereira de Araújo (Lajedo) e Miguel Alves Feitosa (São Bento do Una). Além das mercadorias, foram apreendidas no acampamento noves cartuchos calibre 36, cerca de 500 grama de chumbo, pólvora e espoleta, além de uma espingarda soca-soca.

O MST acusou a polícia de ter agido com violência durante a operação. O agricultor José Clemente dos Santos, 39, contou que foi levado para uma mata, onde foi torturado para revelar onde estavam os alimentos. "Eles colocaram uma pistola no meu ouvido, colocaram um saco na minha cabeça e taparam meu nariz, enquanto eu chorava, pedindo que parassem", lembra, emocionado, mostrando a camisa rasgada e o braço ensanguentado. O agricultor ia ser levado ainda na tarde de ontem para fazer exame de corpo de delito. A assessora do MST, Janeide de Souza, informou que o movimento vai processar oGoverno do Estado. A pol"ícia giu como se estivesse lidando com bandidos", desabafou.

O momento de maior tensão foi durante a prisão do agricultor quando os seus companheiros partiram para evitar a ação e foram afastados pelos policiais. Após deixarem a fazenda Santa Rita de Cássia a polícia foi até a fazenda Santa Rita, onde ocorreu a prisão dos cinco agricultores, porém não encontrou qualquer das mercadorias saqueadas.

O proprietário da fazenda, que acompanhou toda a polícia, lamentou a atitude dos Sem Terra, a quem acusaram de agir contra a reforma agrária. "Eles não querem terra, e sim destruir a reserva ambiental de 300 hectares existente na fazenda, para vender a madeira. Além disso parte da carga roubada estava sendo negociada em vendas da região", explicou. No final da tarde a carga foi levada do Fórum de São Bento do Una, para o Fórum de Lajedo.

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Jornal do Commercio
Recife - 10.09.99
Sexta-feira