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SAÚDE
PE realiza 1º transplante de medula

por CLEIDE ALVES

O primeiro transplante de medula óssea do Norte/Nordeste foi realizado ontem à tarde no Recife, no Real Hospital Português. André Luiz Galvão Guerra, 25 anos, portador de leucemia mielocítica crônica há três anos, recebeu a medula do irmão caçula, o estudante Alexandre Galvão Guerra, 22. "Nossa expectativa é curar a doença, mas o procedimento tem um certo risco, pois o paciente demorou a fazer o transplante e a doença estava num estágio muito avançado", disse o hematologista Kléber Matias, da equipe médica.

Para fazer o transplante, foram retirados 800 ml de medula do osso da bacia de Alexandre Galvão. A coleta demorou duas horas e o doador tomou anestesia geral. Depois de passar por um sistema de filtragem, a medula foi colocada em uma bolsa de transfusão e introduzida no paciente. O procedimento durou três horas. "Fizemos um transplante alogênico, ou seja de uma pessoa para outra, com sistema imunológico compatível", explicou Kléber Matias, hematologista da Fundação Hemope.

A doença de André Luiz foi descoberta há três anos e a indicação do transplante foi feita há dois. "Se ele tivesse feito o transplante naquela época as chances de cura seriam de até 70%. Hoje, esse percentual é bem menor, mas ele é muito jovem e achamos que o investimento merecido", declarou o médico. André Luiz ficará internado 30 dias, recebendo antibióticos, antifúngicos e antivirais sofisticados. "Há riscos de ele contrair infecções bacterianas, fúngicas e virais", justificou. Kléber Matias não descartou a possibilidade de rejeição.

CUIDADOS - O rapaz receberá transfusões diárias de hemácias e plaquetas, enquanto estiver internado. Todo o suporte hemoterápico está sendo garantido pelo Instituto de Hematologia do Nordeste (Ihene). "Em três semanas, a medula transplantada começa a se multiplicar, produzindo o sangue e o sistema de defesa do paciente", explica o hematologista Clemente Tagliari, diretor do Ihene. Até a nova medula começar a funcionar, o paciente fica sem glóbulos brancos e vermelhos e sem plaquetas, por isso precisa das transfusões.

Clemente Tagliari ressalta que o transplante de medula é um procedimento de alta complexidade clínica. "Antes de ser submetido ao transplante, o paciente passa por pesadas sessões de quimioterapia para matar o câncer e a medula óssea. Isso é necessário para evitar a rejeição da nova medula", esclarece. Cinco médicos, além de toda a equipe do Ihene trabalharam na realização do transplante.

No final da tarde de ontem, enquanto recebia a medula do irmão, André Luiz disse que estava feliz e se sentindo muito bem. Alexandre Galvão, que prestará vestibular no final do ano para ciências contábeis, também não tinha queixas. "Foi tudo tranqüilo, não tive medo em momento algum, nem da anestesia", declarou o rapaz. André Luiz, que trabalha com informática, é o penúltimo filho entre quatro irmãos.

"Graças a Deus, ao pioneirismo do Hospital Português, ao doutor Kléber e ao Ihene, meu filho tem essa chance, estou muito feliz", ressaltou o aposentado Lenz Cabral Guerra, pai dos dois jovens. Ele disse que o rapaz esteve perto de fazer o transplante no Rio de Janeiro, antes, mas teve medo e desistiu.

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Jornal do Commercio
Recife - 10.09.99
Sexta-feira