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ENTREVISTA/ Tenente-Coronel Arthur Carvalho
"Não posso ser marcado por ser um Ferraz"

O novo comandante do Policiamento do Interior da Polícia Militar, tenente-coronel Marcos Arthur Ferraz de Carvalho, ou simplesmente Arthur Carvalho, ainda trajava o uniforme de solenidade quando recebeu a repórter Roberta Soares. Entusiasmado com a nova função, Carvalho não fez restrições na sua primeira entrevista à frente do CPI. Ele falou da onda de saques realizados pelos sem-terra e até de sua ligação com os Ferraz de Floresta. Mesmo simpático, avisou: "Eu não vou pendurar as chuteiras tão cedo".

JORNAL DO COMMERCIO - Qual a perspectiva em assumir o CPI, principalmente diante de uma possível onda de saques no interior?

ARTHUR CARVALHO - É um desafio, mas me sinto preparado para encará-lo. Não apenas por ter sido escolhido pelo comandante geral, mas porque a situação do policiamento no interior está muito melhor do que em anos anteriores. Principalmente depois do lançamento das operações Reflorestar e Paz nas Estradas. É claro que ainda temos deficiência de pessoal, mas a situação já esteve pior. Sobre a possibilidade de uma onda de saques, isso não me assusta. Concordo com o governador ao definir que o saque é um crime e vou repudiá-lo à frente do CPI como puder. É preciso combater essas ações criminosas para que eles não comecem a roubar supermercados.

JC - Por falar nessas operações, existe alguma nova determinação de mudança na estrutura?

CARVALHO - Existe em relação à Operação Reflorestar. A partir do próximo mês nós estaremos trazendo de volta ao Grande Recife 60 dos 200 homens que faziam parte inicialmente do efetivo. Essa decisão partiu do Comando Geral da PM e está baseada em estudos feitos na área. Os policiais que vão ficar na região - 140 - são o necessário, pelo menos por enquanto.

JC - Sua nomeação para o CPI foi vista com reserva por alguns policiais e moradores de Floresta, pelo fato de o senhor ser um Ferraz. O que o senhor diz sobre isso?

CARVALHO - Em primeiro lugar, eu estou aqui porque o comandante geral escolheu, mesmo depois que o procurei para dizer que ficasse à vontade para rever sua decisão. Em segundo lugar, da mesma forma que sou da família Ferraz de Floresta com muito orgulho, também tenho Carvalho no nome. Sou primo do ex-prefeito de Floresta Oscar Ferraz (assassinado em abril), mas nunca o conheci. Da mesma forma também tenho primos da família dos Novaes. Eu não posso ser marcado pelo fato de ter o nome Ferraz.

JC - Essas mesmas pessoas acreditam que o senhor vai se utilizar do cargo para beneficiar seus parentes?

CARVALHO - Eu tenho 25 anos na polícia e não estou onde estou por nada. Acredito que se algum dia tivesse beneficiado alguém, o comandante não me escolheria para dirigir o CPI. O problema é que sempre tive uma linha dura de trabalho e muitos policiais não gostam disso. Fiquei um ano e oito meses no BPChoque e consegui mudá-lo. Nunca favoreci ninguém e tenho minha consciência tranqüila. Se vou ser condenado pelo fato de ser um Ferraz, é melhor deixar a PM porque não poderei assumir nenhum cargo de comando. Só digo uma coisa a quem quer manchar a minha imagem: não vou pendurar as chuteiras tão cedo.

JC - O senhor não tem medo de ser assassinado em uma de suas futuras viagens ao interior?

CARVALHO - Não. Eu não temo nada, nem ninguém.

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Jornal do Commercio
Recife - 10.09.99
Sexta-feira