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PRIVATIZAÇÃO
Celpe alugava prédio com preço supervalorizado

por PEDRO IVO BERNARDES

A Companhia Energética de Pernambuco (Celpe) pagava aluguel supervalorizado. O valor, R$ 50 mil, era repassado em troca da disponibilização de 3/4 do prédio sede da Celpos (Fundo de Previdência dos Funcionários da Celpe), ocupado pela estatal. A quantia paga corresponde ao dobro do valor de mercado, já que a Celpe pagava 1% do valor do imóvel, estimado pela fundação em R$ 5 milhões. De acordo com informações obtidas no mercado imobiliário, o aluguel pago deveria ficar entre R$ 25 mil e R$ 30 mil, próximo a 1% do valor de mercado, que é de R$ 2,75 milhões.

Além do imóvel desocupado, a Celpe tem contratos de aluguel de outros 60 imóveis da fundação, todos válidos por 20 anos e com valor fixado em 1% do valor do imóvel. De acordo com o presidente da Celpos, Horácio Mário Fittipaldi, a diferença nos cálculos não significa supervalorização, já que os R$ 5 milhões correspondem a avaliação contábil, onde estão registrados quanto se gastou com o prédio. "A outra avaliação diz respeito a um valor referencial de mercado", explica.

Hoje a Celpos, avalia a possibilidade de vender o imóvel, já que depois que a Celpe liberou as salas que ocupava, o espaço ficou grande demais. De acordo com informações da fundação, hoje, o prédio está avaliado em R$ 5 milhões - valor equivalente a 2,8% do patrimônio da Fundação.

Segundo Fittipaldi, o prédio foi comprado para atender as necessidades da Celpe, que precisava de mais espaço para abrigar seus funcionários. Contudo, a redução de pessoal (de 5 mil para 3,2 mil funcionários) implementada pela estatal permitiu a desocupação das salas. "Com a saída da Celpe, ficamos com espaço demais", diz.

Fittipaldi afirma que a venda do prédio ainda não está definida, faltando ainda avaliar o momento mais oportuno para a realização do negócio. "Vamos esperar para ver o que acontece diante da privatização da Celpe, já que quem comprar a empresa pode encarar o imóvel como estratégico, porém nada impede que fechemos o negócio antes", explica.

A Celpos já se desfez de três imóveis, uma casa na Avenida Suassuna, outra na João de Barros e um terreno na Manoel Borba, que juntos renderam R$ 530 mil aos cofres da fundação. Para o presidente do fundo, é importante lembrar que a Celpos é uma fundação superavitária.

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Jornal do Commercio
Recife - 10.09.99
Sexta-feira