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OCUPAÇÃO
Mocidade de Fernando de Noronha já tem como preencher seu tempo

por LENIVALDO ARAGÃO
Editor de Esportes

A recifense Rosângela Morais reside há 11 anos em Fernando de Noronha, onde ganha a vida dirigindo um táxi - na realidade, um buggy, entre tantos outros que fazem ali esse tipo de transporte. Nos últimos dias, Rose, como é conhecida entre os ilhéus, tem acompanhado de perto a alegria dos filhos Gabriela, 9 anos, e Renato, 10, que não escondem seu contentamento por poderem praticar, com alguma constância, algum tipo de esporte sob a orientação de pessoas devidamente capacitadas.

A satisfação dos filhos estende-se à sobrinha de Rose, Anne Carla, 11. Os três estudam na Escola Arquipélago Fernando de Noronha (mantém os cursos fundamental e médio, correspondentes aos antigos primeiro e segundo graus) e, como mais de duas centenas de colegas, aderiram de corpo e alma ao Circuito Verão Kibon Sorvane Alto Astral, praticando vôlei. No caso de Anne Carla, além do vôlei, ela faz dança.

O vôlei, de duplas e de quartetos, na praia e na quadra, é uma das modalidades inseridas no projeto. De acordo com o que foi estabelecido por Marilda Leal, ex-integrante, como jogadora, das seleções pernambucana e brasileira, a meninada joga às segundas e quartas-feiras na própria escola e às terças e quintas na praia da Conceição, onde está armada uma rede. A freqüência preencherá o currículo do aluno no item educação física.

CONTINUIDADE - Uma das vantagens desse projeto, que numa primeira etapa funcionará até dezembro, é a continuidade. "Já houve várias promoções desse gênero, mas tudo era apenas coisa de fim de semana. Agora, a comunidade está dando todo o apoio porque o programa terá continuação", afirma a noronhense de nascimento Maria das Dores Costa, Maílde, professora de matemática na escola, e que também tem um filho em atividade, praticando futebol de praia.

Integrante do Conselho Distrital, uma espécie de Câmara dos Vereadores, Maílde vê o projeto com otimismo. A finalidade é dar ocupação a adolescentes e jovens, tirando-os da ociosidade e, conseqüentemente, afastando-os da tentação do álcool e das drogas.

O intuito é justamente esse, como explica Jânio César de Moura, um dos representantes da Secretaria de Desenvolvimento Econômico Turismo e Esportes, que, juntamente com Daniel Pessoa, também daquela Secretaria, passou alguns dias em Fernando de Noronha, implantando o programa. Este foi apresentado oficialmente à imprensa sábado passado, mas já estava em execução desde o domingo anterior. "Não vamos priorizar a competição, pois o objetivo é pedagógico e participativo. Se pintar algum atleta, será lucro, mas a intenção é preencher o tempo da rapaziada", diz Jânio.

Para o administrador do arquipélago, Sérgio Sales, a iniciativa só merece aplausos, por justamente preencher um vazio entre os jovens da localidade, que habitualmente só têm a praia como lazer. A própria situação geográfica de Fernando de Noronha impõe essa condição. Portanto, tudo o que for feito em benefício da rapaziada será bem-vindo.

PAIS E FILHOS - Dessa unanimidade não poderia se furtar a diretora da escola do arquipélago, Jaciane Maria Flor, para quem, além da falta de diversão, há um problema que muito afeta os adolescentes de Fernando de Noronha. A monotonia do arquipélago, que dista 545 quilômetros do Recife e 360 de Natal, e a presença constante de turistas de ambos os sexos, terminam gerando separações. "Há muitos filhos de pais separados, que são criados sem afeto e precisam de uma distração sadia como essa", elogia. Com conhecimento de causa, ela acha que o fato de grande parte das residências ter sido transformada em pousada, cria algum distanciamento entre pais e filhos, diante da atenção que aqueles são obrigados a dar ao respectivo estabelecimento, em detrimento da convivência com os pequenos.

A execução do projeto tornou-se possível, graças a uma parceria firmada entre a Kibon Sorvane, governo do Estado e a administração do território.

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Jornal do Commercio
Recife - 10.09.99
Sexta-feira