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RECIFE-FERNANDO DE NORONHA
É dada a largada, mas fora d’água

por IVAN MORAES FILHO

Velejadores de vários estados brasileiros e do exterior participaram de um café da manhã, ontem, no Cabanga Iate Clube. Entre um suco de mangaba e uma fatia de bolo de rolo, assistiram ao lançamento oficial da XI Regata Recife-Fernando de Noronha (Refeno). A competição, que este ano contará com 90 embarcações, é a mais tradicional do calendário pernambucano de vela. A largada será no dia 25 deste mês, na praia de Boa Viagem.

Num rápido discurso, o criador da regata, Maurício Castro, mostrou os troféus destinados aos campeões. O que será entregue ao vencedor foi confeccionado por Vicente Gallo, que também participa da regata. Castro, então, `passou o leme' para o administrador das ilhas, Sérgio Sales, que deu as boas-vindas aos competidores e aproveitou para lançar a idéia da Marina Internacional de Fernando de Noronha. O anteprojeto, que será apresentado no último dia da regata, prevê um ancoradouro capaz de receber até 20 barcos.

Fora os prêmios para os primeiros colocados, haverá também premiação em categorias especiais. Os laureados serão conhecidos a partir do momento da largada. Dois destes prêmios parecem já ter destino certo. A sul-africana Edna Brasler, 78 anos, deverá faturar o de velejadora mais velha de toda a trupe. Já a gaúcha Samantha Ribas, com 5 anos, é a caçula.

Apesar da diferença de idade, o curioso é que a brasileira tem mais experiência náutica que a estrangeira. Samantha vive há um ano e meio num veleiro, desde que o pai, Heitor, decidiu vender o supermercado que tinha e se lançar ao mar. "A cidade de que eu mais gostei foi Maceió, por causa das piscinas naturais", diz a pequena, que não conhece Porto de Galinhas.

Filha da peruana Rosário, Samantha fala pelos cotovelos (em duas línguas) e rouba a cena dos velejadores mais experientes. "Quero ir a Noronha ver os golfinhos rotatores", diz. Medo de enjôo? Que nada..."É mais fácil minha mãe passar mal".

NOVATA - "Só faz seis meses que estou no barco", conta Edna. A `veterana' juntou-se à filha Laura, ao genro Michael, à neta Liz e ao cachorro Jack para literalmente embarcar na aventura. "Até ajudo nos trabalhos dentro do barco", gaba-se. "Ela puxa a âncora sozinha", brinca o genro que, aos 39 anos, trocou o mercado imobiliário pela vida de porto em porto. "Não faço mais planos", diz Michael. Perguntado se não têm medo de que o dinheiro acabe, o sul-africano é enfático: "Aqui a gente quase não gasta. No mar não há lojas. Além do mais, na vida nas cidades, gasta-se 60% do dinheiro com coisas inúteis." Se mesmo assim, um dia a fonte secar, os Brasler não se atormentam. "Sei fazer doces e meu marido pode consertar qualquer coisa. A gente se vira", afirma Laura.

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Jornal do Commercio
Recife - 10.09.99
Sexta-feira