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COMPORTAMENTO Como fugir do tédio e esquentar a relação por SANDRA CARVALHO Eles casaram e foram felizes para sempre. Ou, pelo menos, até que o sexo caiu na rotina. Uns culpam o estresse da sociedade. Outros, a exagerada exposição do nu na mídia, tornando o corpo cada vez menos sedutor. E ainda há os que preferem mudar de parceiro ao primeiro sinal de mesmice ou culpar a si mesmos, passando anos no divã para descobrir por que a vida sexual ficou tão sem graça. Seja qual for o motivo, o melhor é apostar na criatividade para que a relação não caia no trivial. Casais que, apesar de décadas juntos, ainda sentem aquele "friozinho" na barriga ao se ver dão as dicas. Princípio número 1: "a rotina quem faz é o casal", diz a publicitária Isabella Victor, 28, casada há sete anos com o consultor de marketing Luiz Carlos Costa, 55. Os dois estão sempre namorando, inventando fantasias, indo a motéis, assistindo a vídeos eróticos. "Mas, acima de tudo, o casal deve manter o elo emocional, conversar sobre onde e como cada um gosta de ser tocado, e ter afinidades intelectuais", explica Luiz Carlos. Este é o terceiro casamento do consultor, que afirma evitar erros cometidos nas relações anteriores. "Hoje sou mais atencioso, brincalhão, e tenho uma atração enorme por minha mulher. Falamos sobre tudo, sem tabus", revela. Mesmo com a chegada do bebê Artur, o casal procura sair sozinho e se produzir um para o outro. "Um pouco de vaidade e auto-estima não faz mal a ninguém", aconselha Isabella. Na opinião da mãe de Isabella, a decoradora Cristina Victor, 53, a receita para uma boa vida sexual é pensar muito mais na qualidade do que na quantidade. "Com a maturidade nos vem a luz: a cumplicidade, o amor e a preocupação com o outro são os melhores afrodisíacos", diz. O marido de Cristina, o advogado Newbon Victor, 64, se preocupa com a forma física e pratica caminhadas. Ela, por sua vez, faz ginástica localizada, alongamento, musculação e natação. "Manter-se jovem na mente e no corpo é importante para que um casamento de 33 anos não caia na rotina sexual". Para o economista Arthur Friedheim, 61, casado há 38 anos com a dona de casa Maria Lúcia, 58, o maior problema das relações fracassadas é a busca do sexo como prioridade. "Se este for o elemento número 1, é claro que, depois de um tempo, acaba. Mas se existe uma conexão mais profunda, a relação perdura. O amor faz o sexo ficar mais gostoso", diz. Sair para dançar, viajar, escrever bilhetinhos, mandar presentes ou flores, fazer amor num lugar inusitado, tudo isso, segundo Friedheim, faz parte do "manter acesa a chama". Uma outra observação do economista: "resolva a discussão o mais rápido possível. Nunca vá dormir de mal com o outro". A psicóloga e estudiosa da sexualidade humana Amparo Caridade acha que muitos jovens estão mais conservadores do que os casais mais velhos. "Eles se preocupam mais com frequência do que com qualidade", revela. Para ela, ser criativo no sexo não é comprar novas roupas íntimas ou recorrer a fetiches, como usar chicotes ou ir a motéis. "Para manter o tesão, é preciso ser criativo no olhar, no tocar, no falar e no mover-se". Ela acredita que a vida estressante, o desemprego e a preocupação com os filhos também arrefecem a vida sexual. "O casal tem de ter um laço bastante forte para superar os empecilhos e fugir da rotina. Não há uma receita milagrosa". |
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