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VIDA ÍNTIMA Quando o jogo de amor e sedução vira amizade Sou leitora assídua da coluna e, por acreditar nela, resolvi mostrar um pequeno resumo da minha história e buscar ajuda. Tenho 26 anos, sou uma pessoa determinada, em que todos confiam e respeitam. Sempre me esforcei e corri muito atrás das coisas que acredito, me estabeleço a cada dia e sei o que quero profissionalmente. Minha pretensão é achar e ficar com uma pessoa da qual eu realmente gostasse. O curioso é que tenho uma facilidade tremenda em agradar as pessoas em geral e fazer com que todas gostem de mim e apreciem minha companhia. Os dois homens que eu acreditei amar, os seduzi, se interessaram por mim, mas por algum motivo que desconheço fiz com que se tornassem grandes amigos meus e a relação não cresceu e nada aconteceu. Hoje, reconheço minha incapacidade nestas questões, mas simplesmente não sei como agir. Não sei como construir uma relação a dois. Em se tratando de amor, sou um fracasso! E a cada dia me sinto mais insegura para amar e ser amada. Como é possível que uma mulher com minhas capacidades seja tão inábil na vida emocional? ISABEL Foi uma pesquisa séria, para decifrar um problema aparentemente insolúvel. As alunas mais brilhantes, os QIs mais altos da Universidade americana "A", quando migravam para a Universidade "B", da cidade vizinha, caíam vertiginosamente de rendimento intelectual. As alunas com médias altas na primeira universidade mal alcançavam a nota mínima para aprovação na segunda. Pesquisadores passaram meses estudando o problema, até que surgiu a solução que, de fato, causou surpresa. Na Universidade "A", predominavam valores intelectuais, as alunas com notas altas eram valorizadas e populares. Os homens disputavam e ganhavam prestígio por namorá-las. Na Universidade "B", o importante era o esporte. Os jovens desprezavam o desempenho intelectual e valorizavam o esportivo. Conclusão: as jovens inteligentes não eram as que obtinham melhores notas, mas as que tinham mais sensibilidade para conquistar seu objetivo, que, sem sombra de dúvida, era a conquista dos líderes masculinos dessa comunidade. A inteligência não residia em conhecer mais literatura inglesa ou saber história antiga, mas em satisfazer suas metas de serem amadas e populares. Na Universidade "A", o passaporte para o sucesso era o saber, e na Universidade "B", o esporte. De modo que as inteligentes se fingiam de burras para serem populares. Paradoxalmente, era mais inteligente ser burro... Bem, vejamos a questão que nos coloca Isabel. Ela é determinada, confiável e respeitada, define e cumpre todas as metas profissionais. Apresenta-se como uma mulher bem-sucedida, quase perfeita no desempenho da sua vida profissional... Salvo uma exceção: não sabe amar, não consegue, não pode, não quer, fracassa sistematicamente nesta área... Consegue seduzir e que gostem dela, mas não vive um grande amor... Os dois homens pelos quais se interessou foram conquistados, mas os perdeu quando os transformou em amigos. Agora podemos estabelecer uma ponte entre Isabel e as jovens universitárias. Elas são a prova de que as aparências enganam. Nem sempre é evidente a forma como as pessoas alcançam seus objetivos, por isso é bem possível que Isabel talvez não tenha fracassado nos seus projetos. É verdade que está sozinha, solteira e que rejeitou dois homens por quem se interessou. Mas será que realmente os amou? "Se ser burro é uma estratégia brilhante, será que, no seu caso, ser inteligente é um modo particular de realizar seu desejo? Quais são os verdadeiros objetivos de Isabel? Casar com um amigo para evitar a solteirice, ou estar só e bem enquanto espera por um grande amor? Seus 26 anos lhe dão tempo para ser reprovada quantas vezes precisar até sentir que encontrou um homem na sua medida. "Não é verdade que Isabel tenha fracassado, como não fracassaram as jovens com médias acadêmicas baixas. O que aconteceu foi que todas tinham outros objetivos. Um deles poderia ser não se casar enquanto não encontrasse seu verdadeiro homem. Talvez ela pense que é melhor estar sozinha do que mal acompanhada. As mulheres sozinhas, com algum esforço, encontram companhia; as mal acompanhadas precisam se desvencilhar da má companhia para saírem sozinhas e procurar o que realmente desejam. As pesquisas estão abertas. "É possível que mulheres que fracassam na sua escolaridade matrimonial não consigam se casar com seus amigos, ou talvez não façam isso porque esperam por um companheiro que não se encaixe no perfil da amizade, mas no de homem e amante. Quem inventou que os maridos devem ser amigos das suas esposas? Lembre-se de que ser amiga de um marido não é a mesma coisa que ser marido de uma amiga. Mulheres têm a palavra. Alberto Goldin é psicanalista e autor de "Amores freudianos" (Nova Fronteira) e "Histórias de amor e sexo" (Objetiva) |
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