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TELECOMUNICAÇÕES II
TV digital está prevista para 2001

por GEÓRGIA MORAES
Especial para o JC

O superintendente de Serviços de Comunicação de Massa da Anatel, Jarbas Valente, anunciou que as primeiras autorizações para o serviço de TV digital serão publicadas em março do ano 2001, um ano após a escolha de um padrão para o Brasil. O informe foi feito durante o Seminário Técnico Nacional da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio (Abert) e do SET 99 da Sociedade de Engenharia de Televisão, mês passado, no Rio de Janeiro.

O desafio é definir qual o padrão da TV digital brasileira. Desde 1994 acompanhando o desenvolvimento da tecnologia digital no mundo, o grupo técnico Abert/SET trabalha em um relatório para propor ao governo a melhor solução para a TV brasileira.

Por meio de um convênio com a Universidade Mackenzie de São Paulo e com o financiamento de R$ 2,5 milhões da NEC do Brasil, o grupo realiza, desde agosto, testes de laboratório e de campo com os padrões europeu (DVB-T), norte-americano (ATSC) e japonês (ISDB-T). No final de janeiro do próximo ano, o relatório com a sugestão do padrão a ser adotado será encaminhado à Anatel.

Paralelamente, a Anatel também faz seus próprios testes através da consultoria do CPqD. A partir dos dados obtidos com os testes, a agência espera definir o padrão de TV Digital para o país em março do próximo ano.

Será a TV digital que vai proporcionar a entrada da televisão aberta na era da convergência das comunicações. Além de permitir transmissões em alta definição (HDTV), permitirá a transmissão de múltiplos programas simultaneamente e a transmissão de dados. A HDTV (High Definition Television ou TV de alta definição) apresenta imagem bem mais nítida do que a da TV analógica atual, sem fantasmas, sem ruídos e som com qualidade de CD em telas de 16x9, formato adotado no cinema que permite maior amplitude de enquadramento.

Outra opção, alternativa à HDTV, é a multigeração de programas. Será possível gerar até seis programas diferentes que serão transmitidos simultaneamente pelo mesmo canal. Isso significa que você poderá optar por assistir a um filme no horário da novela ou a um telejornal em vez do jogo de futebol.

Com a transmissão de dados, as opções são infinitas. O telespectador poderá acessar páginas da Web através da TV, obter mais dados sobre produtos apresentados na programação e até mesmo comprá-los através de comandos do controle remoto. São novas aplicações para os Serviços de Comunicação de Massa que, segundo estimativas da Anatel, devem movimentar ao longo dos primeiros dez anos de implementação da nova tecnologia cerca de US$ 80 bilhões.

Durante o evento, ficou claro que a digitalização é a evolução natural da tecnologia analógica e o caminho para a interatividade e para manutenção do desenvolvimento do setor. "É a interatividade que seduz o consumidor", afirma Valente.

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Jornal do Commercio
Recife - 08.09.99
Quarta-feira