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RECUO
Otan desiste de intervenção no Timor

ROMA - Um dia após defender intervenção imediata no Timor Leste, o chefe da Otan descartou, ontem, tal possibilidade e sugeriu que cada país da aliança ou as Nações Unidas enviem força militar para pôr fim aos massacres. "Não podemos fechar os olhos ao que está ocorrendo", disse o secretário-geral da Otan, Javier Solana, após reunir-se com o primeiro-ministro italiano, Massimo D'Alema.

Solana afirmou que a Otan é uma aliança regional e que não tem mandato legítimo para intervir no Timor Leste. "A comunidade internacional não deveria ter dois pesos e duas medidas", disse, sugerindo a necessidade de uma intervenção similar à de Kosovo.

Os ministros de Relações Exteriores de 20 países, incluindo as grandes potências, fizeram um apelo à Indonésia para que restabeleça a paz no Timor, mas deixaram nas mãos da ONU a decisão de intervir. As autoridades estiveram reunidas ontem, em Auckland (Nova Zelândia), em um encontro convocado de emergência, paralelamente ao Foro de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico.

INDIGNAÇÃO - Os líderes americanos ou australianos, reprovam naturalmente as cenas de perseguição e de sangue em Timor Leste, mas dizem que é preciso esperar. "É preciso aceitar o fato de que Timor está na Ásia", justificou Sandy Berger, assessor do presidente norte-americano Bill Clinton.

Os que gritam sua indignação são intelectuais, portugueses e italianos. Na primeira página do Le Monde, o escritor português José Saramago, Prêmio Nobel de Literatura, expressa aos gritos sua indignação. "Qual é a participação de um habitante de Dili na Bolsa de Nova York?", pergunta.

O escritor italiano Antonio Tabucchi é mais feroz ao mandar um recado para o secretário-geral da ONU, Kofi Annan: "Se o senhor não for a Timor, estará dizendo de alguma maneira aos jovens do próximo milênio que a ONU era uma palhaçada, a democracia uma ninharia e o voto democrático uma farsa".

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Jornal do Commercio
Recife - 10.09.99
Sexta-feira