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REPRESÁLIA
Bomba explode na Rússia e mata 32

MOSCOU - A explosão em um edifício que matou, ontem, 32 pessoas - entre elas três crianças - na capital russa, pode ter sido um atentado terrorista. Quem afirma é o prefeito de Moscou, Yuri Lujkov. Um interlocutor anônimo disse à agência de notícias Interfax que se tratava de represálias das operações russas no Daguestão e Chechênia.

Até ontem à noite havia cerca de 80 moradores desaparecidos. Ficaram feridas 249 pessoas, sendo que 72, incluindo 19 crianças, estavam hospitalizadas. Não há esperança de encontrar sobreviventes porque um incêndio seguiu-se à explosão. O prédio fica num complexo residencial do subúrbio operário de Petshalniki, a sudeste de Moscou.

Lujkov estima que a possibilidade de uma explosão provocada por um escapamento de gás seria "a menos provável". "Tudo indica que foi um ato terrorista semelhante ao de Buinaksk (Daguestão), que matou 64 pessoas no último sábado", adiantou. Em telefonema à Interfax, um interlocutor anônimo com forte sotaque caucasiano disse que o atentado teria sido uma resposta às operações russas no Daguestão e Chechênia contra rebeldes islamitas.

Os chefes dos separatistas islamitas tinham ameaçado represálias a Moscou em várias ocasiões. Segundo um balanço oficial, a explosão de um carro-bomba, no dia 4, em Buinaksk (Daguestão) deixou 64 mortos. Pouco antes, o ministro russo do Interior, Vladimir Ruchailo, havia estimado que a explosão de anteontem à noite poderia ter sido causada por uma bomba.

Um porta-voz do FSB (Serviço Federal de Segurança, ex-KGB) não descartou uma relação entre a explosão "e os fatos no norte do Cáucaso, já que os terroristas que combatem no Daguestão tinham anunciado, em várias ocasiões, atos terroristas em território russo".

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Jornal do Commercio
Recife - 10.09.99
Sexta-feira