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PETROLINA
Diversão nas águas do Chico

por MONA LISA DOURADO

Envolta em tecnologia e modernidade, porém conservando o mistério e a tradição das crendices populares, Petrolina, encravada como um oásis em pleno sertão nordestino é a principal cidade do Vale do São Francisco e tem no rio - o Velho Chico - sua fonte de beleza, riqueza e progresso. História, aventura, ecologia, magia e cultura, tudo isso num cenário vigoroso a 774 quilômetros do Recife. As opções que Petrolina oferece são suficientemente variadas e convidativas para agradar a qualquer tipo de turista.

Começando pelo centro da cidade, a primeira parada é na Catedral, uma construção de 1929 em estilo neogótico, ornamentada com vitrais franceses de imagens vindas da Europa e com um relógio doado pelo padre Cícero. Ao lado da igreja, encontra-se a concha acústica, formada por um palco elevado e arquibancadas com capacidade para cinco mil pessoas, onde ocorrem os grandes eventos locais.

O passeio segue pela praça do Centenário, construída em 1962 em comemoração aos cem anos da Igreja Matriz, outro símbolo da religiosidade petrolinense, que tem na imagem da padroeira Nossa Senhora Rainha dos Anjos, procedente da ilha de Madeira (Portugal), um dos maiores atrativos.

Se a idéia é ter um pouco mais de informações a respeito da história da cidade, na Fundação Cultural (antiga Estação Ferroviária) é possível saber, por exemplo, que em 1940, o local onde hoje se situa Petrolina se chamava Passagem de Juazeiro. "Era, nessa época, um simples ponto de travessia do Rio São Francisco para viajantes com destino à Bahia e sul do país. Só em 1895 ela foi elevada à categoria de cidade", explica Cid Carvalho, jornalista e pesquisador, residente em Petrolina desde 1923.

Para desvendar os costumes e hábitos do povo sertanejo, vale uma visita ao Museu do Sertão. Lá, tem-se acesso a um rico e variado acervo documental, histórico, sacro e artístico, além da exposição de objetos de uso de boiadeiros, cangaceiros, antigos coronéis, pescadores e índios. O museu é aberto de segunda à sexta-feira, das 10h às 18h, e nos sábados, domingos e feriados, das 14h às 18h. A entrada é franca.

PRÓSPERA - Banhada pelo rio São Francisco numa extensão de 96 quilômetros, Petrolina deve à suas águas todo seu desenvolvimento econômico. O turista interessado em conhecer os projetos de agricultura irrigada (principal fonte de renda e emprego na região) e psicultura, que fazem de Petrolina um grande pólo exportador de alimentos, podem optar por uma programação rural a poucos minutos da cidade. Na Estação Agroecológica Rancho Caatinga Verde é cobrada uma taxa de R$ 5,00 por pessoa, destinada a preservação e conservação do lugar. Em contrapartida, o visitante usufrui dos encantos de uma fauna e flora diversificadas e de um passeio em áreas agrícolas, sendo ainda presenteado com uma mesa de sucos, água de coco e doces frutas da região.

Porém, o que mais fascina os turistas nessa região são as águas esverdeadas, límpidas e mornas do São Francisco. Através de um inesquecível passeio de barco, é possível apreciar a beleza de suas ilhas ribeirinhas e paisagens fluviais inigualáveis ou, ainda, aventurar-se na eclusagem da barragem de Sobradinho. A barca Nina, por exemplo, ao preço de R$ 50,00 por pessoa, leva os passageiros rio adentro num percurso que chega a durar cerca de cinco horas (ida e volta) pelas ilhas de Massangana, Maroto, Pantanal, Rodeadouro e Amélia. No caminho, pássaros, vegetação típica, barcos de pesca, além de pequenas cidades plantadas em suas margens, completam um cenário que em pouco lembra o árido sertão nordestino. À bordo, um bar com música ao vivo e o almoço, onde é servido o famoso surubim, peixe típico da culinária local, abastecem os passageiros durante todo o percurso.

O tão esperado banho no São Francisco pode ser tomado nas praias de areia clara e fina que contornam as ilhas fluviais. Só é preciso ter cuidado com a correnteza e, se você é supersticioso, com a mãe d'água, uma espécie de sereia bonita e envolvente que, segundo a crença popular, leva as pessoas para o seu reino no fundo do rio. Para os preguiçosos, depois de tanto "esforço", vale um cochilo nas redes, sob a sombra das frondosas mangueiras ou goiabeiras da Ilha do Fogo, de onde se pode apreciar o belo panorama das cidades de Petrolina e Juazeiro ligadas pela ponte e, à tardinha, ver o rio engolindo o sol.

ARTE - De todas as suas lendas, uma figura mítica do São Francisco ficou conhecida além dos limites do rio. Foram as carrancas que, no passado "protegiam" as embarcações, afugentando os maus espíritos das águas, como o Nego d'água (outro ser lendário) e avisavam quanto ao perigo de naufrágio, gemendo três vezes. Hoje, produzidas pelas mãos hábeis de artesãos como Ana das Carrancas, são utilizadas na decoração de residências e estabelecimentos comerciais, sendo exportadas para vários países, porém destituídas de seu caráter original. Estando em Petrolina, vale a pena visitar o galpão de Dona Ana, no bairro de Gersino Coelho.

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Jornal do Commercio
Recife - 09.09.99
Quinta-feira