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CRIME NO PIAUI
Parceria oficial combate crime organizado no PI

TERESINA - A Procuradoria da República, a Polícia Federal (PF), o Ministério Público (MP) e a Secretaria da Segurança Pública do Piauí acertaram uma parceria para as investigações sobre o crime organizado no Estado. O acordo foi acertado ontem, durante três horas de reunião entre o procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro, o governador Francisco Moraes Souza, o `Mão Santa' (PMDB), o presidente do Tribunal de Justiça (TJ) do Piauí, desembargador Falcão Lopes, dirigentes da PF e da Secretaria de Segurança Pública.

A Procuradoria da República e a PF vão investigar as ameaças a autoridades federais, desvio de verbas de programas de saúde e educação, sonegação de tributos federais e contrabando e armas. "Vamos cooperar com o governo do Estado em prol de uma apuração rigorosa", disse Geraldo Brindeiro.

O governador anunciou que, além da prisão do coronel Viriato Correia Lima, acusado de chefiar o crime organizado no Piauí, outras medidas serão adotadas esta semana. Ontem o secretário de Segurança, Carlos Lobo, reuniu-se com todos os delegados de polícia e nomeou o delegado Francisco Costa para comandar a equipe que investigará assassinatos, extorsão e falsificação de notas fiscais. Outra decisão foi o pedido para desarquivar pelo menos dez processos criminais envolvendo assassinatos não-solucionados. Há indícios de que os crimes foram cometidos pelo bando liderado por Lima.

O presidente da subsecção da OAB do Piauí, Nelson Nery Costa, encaminha amanhã ao governador `Mão Santa' um pedido para que o comando da PM seja assumido por um coronel do Exército. Ele considera a intervenção fundamental para se garantir a lisura das investigações sobre o crime organizado e o suposto envolvimento de coronéis da PM e autoridades públicas.

Costa também está defendendo a transferência para unidades do Exército dos suspeitos de envolvimento com o crime organizado no Estado, detidos nas dependências do batalhão da PM. Ele teme uma `queima de arquivo'. Ele retorna hoje a Teresina, sob proteção da PF, após cinco dias fora do Estado, de onde saiu com a família, sob ameaças de morte.

O deputado Wellington Dias (PT-PI) deve encaminhar amanhã às comissões de Direitos Humanos, de Fiscalização e Controle e Parlamentar de Inquérito (CPI) do Narcotráfico na Câmara um dossiê com as denúncias envolvendo as autoridades policiais do Piauí. Ontem ele entregou cópias do dossiê à Receita Federal ao Tribunal de Contas da União (TCU).

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Jornal do Commercio
Recife - 12.10.99
Terça-feira

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