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INVESTIGAÇÃO
Polícia apresenta vigilantes acusados de matar travestis

Os vigilantes da Turma do Apito Iraquitan José de Oliveira Correia, 21 anos, conhecido como `Galego', e Nivaldo Alves da Silva, 28, foram apresentados ontem pela Polícia Civil como acusados de assassinar os travestis Severino Antônio da Silva, 21, `Sereia', e Márcio José de Andrade, 25, `Márcia', na madrugada do dia 2, no bairro da Tamarineira. Os dois acusados confessaram o crime, mas alegaram que assassinaram os travestis porque eles estavam com três homens que pretendiam matá-los. "Nós agimos em legítima defesa", argumentou o vigilante Iraquitan José. A polícia, no entanto, contesta essa versão.

Segundo o delegado de Casa Amarela, Antônio Falcão, responsável pelo caso, Iraquitan e Nivaldo Alves estavam perdendo alguns clientes no bairro devido à baderna promovida pelos travestis e resolveram `limpar a área'. "A nossa maior testemunha é uma empregada doméstica que foi agarrada pelas vítimas no momento da execução e terminou sendo baleada. Ela contou que os assassinos já chegaram atirando nos travestis, que ainda tentaram se proteger agarrando-a. Essa história de três homens não procede", afirmou.

Apesar de terem sido presos por homicídio qualificado - crime praticado com requintes de crueldade que tem pena entre 15 e 30 anos de prisão -, Iraquitan José poderá ser solto pela Justiça em uma semana, já que não tem antecedentes criminais. O vigilante, que assassinou o travesti `Sereia' com um tiro de espingarda de fabricação caseira, calibre 20, contou que as vítimas faziam ponto na Rua Cônego Barata há um ano e costumavam se envolver em badernas e pequenos crimes.

"Os dois sempre tiravam a roupa na rua e há uma semana chegaram a arrombar um fiteiro. Acionamos a Polícia Militar e foi encontrado maconha com Sereia e Márcia. Nesse mesmo dia eles nos ameaçaram de morte juntamente com três homens", contou. Segundo o vigilante, na madrugada do dia 2 os dois travestis estavam com três amigos e um deles atirou na sua direção. "Nesse momento nós revidamos. Não queríamos matá-los, mas eles terminaram atingidos", disse Nivaldo Alves.

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Jornal do Commercio
Recife - 12.10.99
Terça-feira