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DIA DA CRIANÇA
As eternas brincadeiras de criança

por VERÔNICA ALMEIDA

Acorde para arrumar a casa da boneca, pular amarelinha ou academia, fazer as brincadeiras do elástico e do anel, pular corda, brincar de roda, de esconde-esconde, jogar queimado. Os ventos da estação também indicam que é hora de colocar a pipa no ar. Quem sabe fazer uma partida de bolas de gude, mostrar que é bom de pião e arrasar na pelada? Cansado, é melhor montar o álbum de figurinhas.

Opções não faltam para um 12 de Outubro, feriado e dia dedicado a quem ainda não entrou na adolescência. Mas calma, estamos no século vinte, às portas do terceiro milênio. Criança ainda brinca assim? Bem, a era da informática e das engenhocas que se mexem por controle remoto já conquistou muita gente que pode gastar dinheiro. Acontece que, na periferia, mesmo com as casas de jogos eletrônicos, o videogame e a televisão, encontrar os amigos do bairro ou da escola, brincar na rua de cara para o sol, poder correr de um lado a outro, comprar e montar o próprio brinquedo são bem mais interessantes.

"Fico logo enjoado com videogame. Só brinco com ele no domingo à noite, quando estão passando programas chatos na televisão". A desculpa nenhum pouco esfarrapada é de Mano, Marcelo Silva de Araújo, 13 anos, filho de um gráfico e craque do pião na turma formada por ele, Júnior, Tiago, Diego, Márcio G, Pinininho e outros garotos do Morro da Conceição. Como o horário da escola não é igual para todos, sábados, domingos e feriados são dias sagrados da brincadeira em grupo. Cada um guarda um brinquedo coletivo. Mano e Tiago têm piões. Júnior, uma garrafa plástica cheia de bolinhas de gude. Mas quando falta alguma coisa, é fácil repor o estoque. "Duas bolas de gude custam cinco centavos e um pião com ponteira (cordão) R$ 0,50", calcula Diego. O Mercado de Casa Amarela ou o Armarinho Tem de Tudo, lá do Morro, resolvem o problema numa urgência.

A pipa requer mais trabalho. "Precisamos de paleta, linha, cola, tesoura, papel de seda, carbono ou plástico e uma lâmpada fluorescente queimada", ensina o esperto Mano. E onde conseguir? A paleta é retirada da folha do coqueiro. A cola e a tesoura, do material escolar. A linha, o papel ou o plástico são comprados no armarinho. "Linha dez ou zero, carretel de 50 metros", avisa Júnior. Arma-se a estrutura da pipa com as paletas, cobre-se com papel ou plástico (deixe algumas tiras para compor a rabada). A linha, que vai impulsionar o papagaio de papel, recebe ainda cola e vidro batidinho (aquela velha lâmpada) - uma proteção para derrubar a concorrência que cruzar o céu. Mas só adianta se preocupar com pipa na época certa, em meses de sol e vento, diz a experiência da garotada.

Enquanto os meninos aprontam novidades, as meninas também confeccionam a corda de elástico com roupas velhas. As amigas Jéssica Silva, Isabele Souza (8 anos) e Laura Araújo (10), adoram brincar assim, pulando o elástico cruzado. A casinha de boneca também é outra boa diversão. "Já fiz para elas alguns móveis de caixa de fósforos, como a gente brincava no meu tempo", conta Marilene Ferreira, mãe de Jéssica.

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Jornal do Commercio
Recife - 12.10.99
Terça-feira