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MANIFESTAÇÃO
ONG simula enterro de autoridades

Um enterro "coletivo" deverá movimentar o centro da cidade, amanhã. Com direito a marcha fúnebre, o ministro da Saúde, José Serra, o coordenador nacional dos programas de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST) e Aids, Pedro Chequer, e o prefeito do Recife, Roberto Magalhães, serão "colocados" em três caixões e "enterrados vivos" na Rua Nova, por volta das 9h. A simulação faz parte de um protesto da Organização Não-governamental "O Camisão", contra a falta de preservativos e a não-permissão para o bloco da Ong não desfilar no Recifolia, que acontece no final deste mês.

O diretor do "O Camisão" - que trabalha com prevenção de DST e Aids -, Anselmo Campelo, acusa o Ministério da Saúde de ter interrompido o fornecimento de preservativos para a entidade. "No ano passado, recebemos 36 mil camisinhas, mas este ano, até agora, não chegou nada do Ministério da Saúde", reclama Anselmo, ressaltando que a entidade já distribuiu mais de onze milhões de preservativos em oito anos de atividades. "Se nós não contássemos com a ajuda de empresas privadas nosso trabalho seria prejudicado".

Quanto ao Recifolia, Anselmo afirma que a Sucesso Promoções exigiu o pagamento de R$ 8.500,00 para que o trio elétrico pudesse desfilar na Avenida Boa Viagem. "Nunca precisamos pagar para participar do carnaval fora de época. É uma falta de respeito para com o povo, que precisa de informação e conscientização. Por isso, deveremos entrar amanhã com uma liminar na Justiça solicitando a suspensão do Recifolia".

Durante o protesto, haverá a distribuição de 40 mil camisinhas. Cinqüenta mil panfletos também foram confeccionados para que a população, segundo Anselmo, fique sabendo das ações tomadas pelos governantes em relação à preservação das DST e da Aids. "Ultimamente Serra prega uma coisa, mas a prática é outra. As pessoas carentes, que mais precisam de informação, estão sendo punidas. E nem as camisinhas estão chegando".

RESPOSTA - O diretor da Sucesso Promoções, Fábio Macêdo, garante que a empresa não pode ser responsabilizada pelo fato de "O Camisão" não desfilar no Recifolia, e nega a cobrança dos R$ 8.500,00. "A Prefeitura do Recife foi quem determinou o limite de oito blocos por noite. A cota já estava encerrada quando a ONG nos pediu para desfilar". Já o coordenador estadual do Programa de DST/Aids, François Figueirôa, diz que o "Camisão" não consta na lista de entidades que são financiadas pelo Ministério da Saúde.

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Jornal do Commercio
Recife - 12.10.99
Terça-feira