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INTERCÂMBIO
UFPE inaugura Centro de Estudos Brasileiros em Londres

O intercâmbio cultural e educacional entre o Brasil e a Grã-Bretanha ganha mais um novo espaço no próximo dia 13. Um amplo centro de estudos sobre a realidade brasileira será inaugurado na Universidade de Middlesex (foto: Business School). A integração começa já na abertura do CBS: uma fotógrafa inglesa mostra o que viu no Nordeste do Brasil, e está programado um show de música regional, além de palestras do embaixador do Brasil, em Londres, e do diretor do Centro.

por MARIO HÉLIO

Se as palavras sugerem e ensinam alguma coisa com o seu jogo, pode-se lembrar de uma que contém em si mesma o mais amplo, o global e universal: de universidade, naturalmente, é que se fala. O difícil, no entanto, é fazer com que as palavras cumpram o seu significado. Mais difícil ainda: ir além das palavras. A Universidade Federal de Pernambuco, o Conselho Britânico e a Universidade Middlesex foram.

Há dois anos, era uma simples idéia: facilitar a vida de brasileiros que pretendiam fazer graduação, estudando na Inglaterra, e não queriam perder os créditos retornando ao seu país. Uma missão de professores brasileiros seguiu a Londres para identificar instituições de ensino superior que aceitassem a realização de convênios e validação de créditos. A Universidade Middlesex foi a escolhida. Logo, surgiu uma idéia ainda mais ambiciosa: a criação de um Centro de Estudos Brasileiros lá.

Paula Cordeiro, gerente do setor de informação do Conselho Britânico, no Recife, lembra como tudo começou a partir do cumprimento do lema do Conselho em 210 países: criar conexões. "O nosso trabalho é criar oportunidades para as pessoas no mundo", informa. Coincidentemente, amanhã, ou há uma semana da inaguração do Centro de Estudos Brasileiros, em Londres, o British Council promove no Recife uma conferência internacional sobre "Patrimônio Histórico e Desenvolvimento".

No começo deste ano, o professor Marcos Guedes de Oliveira, nos falava do Centro, e antecipava as informações sobre os propósitos e o modo de funcionamento. Uma edição temática do JC Cultural sobre esse intercâmbio foi proposta e aceita, para quando da inauguração oficial, que acontece agora. Antes, numa longa entrevista, o diretor do CBS explicava como era possível uma cooperação internacional de grande alcance, no campo da educação, num momento de clara transição no ensino. Na oportunidade de encontrar novos caminhos para aprendizagem e a colaboração entre as culturas. No exato instante em que se fala de globalização, mas também acontecem a valer as dominações e subjugações com outros nomes. Em que se prega até o fim das segregações raciais, mas o irracionalismo étnico parece recrudescer. E mais uma vez a palavra pode ensinar algo aos que pretendem a práxis do pensamento. O que aprender com a palavra integração? Gilberto Freyre, no livro "Sugestões de Um Novo Contato Com Universidades Européias" é bem didático a respeito:

"Integração significa, em moderna linguagem especificamente sociológica, aquele processo social que tende a harmonizar e unificar unidades diversas, ou em conflito, sejam essas unidades elementos de personalidades desgarrados ou desintegrados - assunto mais psiquiátrico que sociológico - indivíduos com relação a outros indivíduos ou a grupos, grupos com relação a outros grupos. Integrar quer dizer, na mesma linguagem especificamente sociológica, unir entidades separadas num todo coeso, um tanto diferente da pura soma das suas partes, como se verifica quando tribos ou estados e até nações diferentes passam a fazer, de tal modo, parte de um conjunto, seja nacional ou transnacional, que dessa participação resulta uma cultura senão homogênea, formada por traços mutuamente adaptados - ou adaptáveis - uns aos outros. Assim compreendida, a integração contrasta com a subjugação de uma minoria por uma maioria; ou pode-se acrescentar - de uma maioria por uma minoria, contrastando também, com a própria assimilação."

Se naquele livro Gilberto Freyre falava de "uma nova Europa: além dos ismos convencionais", também tratava de universidades supranacionais, numa "nova Europa: o começo da sua organização supranacional." Em curioso apenso, informava-se que o Boletim de Documentação Econômica e Financeira Alemã discorria sobre a criação de uma Universidade Européia. Era assunto que ocupava o Parlamento Europeu, há exatos quarenta anos. Foi sugerida inclusive uma cidade - Florença - que a abrigaria.

Pensava-se numa universidade comum à Europa. Hoje, estaria o mundo maduro para uma universidade que una continentes? O convênio entre a Middlesex e a UFPE parece responder com a palavra sim.

* Mário Hélio é professor do Departamento de História da Universidade Federal de Pernambuco e editor do JC Cultural

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