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Adoção de praças Há quase três anos, a Prefeitura do Recife criou o programa "Adote uma Praça". Trata-se do aproveitamento de uma tendência que pode ser observada hoje em todo o mundo, a da parceria empresa-estado que, apesar do aperto financeiro por que vêm passando as unidades produtivas do nosso país, se tem constituído também aqui num inquestionável sucesso. Zelar pelos espaços públicos sempre foi considerado um dever do governo, seja em nível municipal, estadual ou federal. Mas, quando faltam recursos e sobram boa vontade e criatividade, certas soluções podem ser tentadas, e muitas vezes dão certo. Já em tempos anteriores, era possível ver, sobretudo em cidades do interior, bancos nas praça (de cimento, às vezes revestidos de granito aparente), com o nome do doador, geralmente um dos seus filhos mais endinheirados e vaidosos. Quase todas as capitais, porém, evitavam esse tipo de acordo. Uma nova visão do mundo permitiu, em anos recentes, que tal divulgação personalizada e imodesta fosse substituída por aquilo a que os publicitários chamam de propaganda institucional, quase subliminar, para tornar simpática a imagem do anunciante sem se transformar num instrumento direto de venda de um nome, ou de um produto. Assim é que, mais do que nunca, a iniciativa privada tem-se mostrado favorável a melhorar o visual das cidades, tornando-se com isso simpáticas aos habitantes, algumas vezes em troca de impostos ainda por pagar, outras como simples doação, numa homenagem ao conjunto da comunidade beneficiada. O projeto "Adote uma Praça", lançado pelo atual governador Jarbas Vasconcelos quando prefeito da capital, pode ser considerado vitorioso. Dos 250 logradouros cadastrados na cidade, em abril último (administração Magalhães Melo), pelo menos 93 foram adotados por empresas ou grupos de moradores. E nos últimos seis meses alguns outros devem ter sido acrescentados à listagem anterior, enquanto novas adoções vêm sendo negociadas. A Emlurb, órgão municipal responsável pelos contratos da "adoção", pretende alcançar nos meses seguintes um ritmo de dez novas adesões mensais, para encerrar o ano com 213 praças tendo sua manutenção feita sem custos imediatos para a Prefeitura. Com a economia, tem a PCR podido investir em áreas mais carentes, como os morros que circulam alguns trechos da cidade, e outras em que se concentra a população mais pobre. Se, como todos sabem e já dizia o poeta Virgílio, na Roma antiga, "nem todos podemos fazer tudo", o certo é que juntos sempre podemos fazer muitas coisas. Governos municipais e a iniciativa privada aprenderam a unir esforços para devolver às cidades o encanto das praças com jardins cultivados e bem tratados. Outros itens importantes para transmitir os encantos da vida urbana, que para muitos pareciam perdidos, poderão também se beneficiar de parcerias. Entre eles, o da produção teatral. As entidades associativas dos artistas vêm cobrando com insistência a revitalização das salas de espetáculos. Alguns dos nossos teatros apresentam sérios problemas, recentes ou antigos, como infiltração d'água (Parque e Barreto Júnior), falta de placas de identificação (Barreto Júnior e Apolo), ou estão fechados há anos para reforma (Santa Isabel). Se a parceria empresa-Prefeitura alcançar esse setor, teremos dado um valioso impulso à nossa cultura. |
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