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Fazer arte é permitido na melhor idade Há pouco mais de um mês, Terezinha Araújo Vítor, 73 anos, passava o dia estressada com a doença de seu marido. Hoje, ela faz parte de um grupo de alunas, a maioria acima dos 50 anos, em um curso de artes plásticas. A ligação entre o esquadro e o estresse de Terezinha está justamente no tênue limite entre a distração ("Estado em que a atenção está dividida entre vários assuntos ou ações") e distração ("Divertimento, entretenimento"). Depois de um mês de curso, Terezinha continua atenciosa a seu marido mas sublimou a tensão das horas não-dormidas e pensa agora em desenvolver um trabalho como artista plástica. Assim como Terezinha, muitas de suas colegas de curso são artistas que começaram a conhecer os pincéis e aquarelas já na maior idade. Dalva Alves, 69, está há quatro anos pintando e já conseguiu participar de algumas coletivas. A exemplo da amiga Terezinha, Dalva foi incentivada pela própria filha a entrar para o curso e não se arrepende. "Comecei tarde, mas, sabe como é, marido, filhos, agora é que eu tenho tempo para fazer o que eu quis: pintar", comenta Dalva. No atelier onde Dalva e Terezinha estudam, mais da metade dos alunos já estão na faixa de idade acima dos 50 anos. "Tenho aluna já há dez anos comigo que confessa que está aqui como terapia", afirma Vitória Dantas. Junto ao professor Carlos Queiroz, ela acredita que a arte pode ser usada para despertar nessas pessoas dons que podem ter sido camuflados durante anos. (C.A.) |
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