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O clima no CRI é sempre de praia

por CAROL ALMEIDA

Quando a praia de Boa Viagem ainda era reduto dos chamados veranistas, um café-da-manhã começou a ser distribuído na areia, para quem quisesse, logo cedo. Era final da década de 70 e a idéia do grupo era fazer uma brincadeira toda semana com um prato diferente. "Havia semana que levavam abacaxis, melancias, até que uma vez eu levei um panelão de mungunzá", conta Zezé Ramos que, junto a Teixeira e Marinheiro fundaram o Clube dos Rapazes Inocentes (CRI). Quase sempre chamados pelos seus apelidos, os integrantes do CRI somaram alguns anos a suas respectivas idades e, mesmo assim, preservam até hoje a `cerimônia' do mungunzá todas as sextas-feiras, entre as 6h30 e 7h. Seus integrantes não são sócios e sim personagens de um clube de Bolinhas mais velhos.

Além das caminhadas e conversas de beira de praia, alguns dos sócios honorários do CRI fazem questão de provar que a velha máxima "juventude é um estado de espírito" é mais do que verdadeira. Paulo Camelo, mais conhecido como Paulo `Doido', 67 anos, joga vôlei desde que entrou para o CRI. "Tenho uma saúde de fazer inveja a muita gente", orgulha-se, garantindo estar mais do que em dia com os deveres conjugais. "Minha namorada tem 37 anos e é mais do que satisfeita com meu desempenho". Não precisa dizer em que `deveres' ele está atualizado. No mar, a mais nova sensação entre os rapazes e moças da praia é o "Gibi" Aquático, um tipo de coluna social organizado pelo jornalista Josué de Oliveira Lima, com direito a fotos e notas do que de mais quente anda acontecendo entre os colunáveis da areia.

Donos da idéia do carnaval mais animado na manhã de Boa Viagem, conhecido nacionalmente, o Clube dos Rapazes Inocentes deu origem alguns anos depois ao Meninas da Praia. Hoje, ambos os clubes acabam tornando-se verdadeiros blocos quando o estandarte - que já puxa milhares de pessoas pela Avenida Boa Viagem - desperta a manhã de carnaval no bairro. Mais organizadas e tão animadas quanto seus parceiros, as Meninas da Praia tomam diariamente altas doses de conversas no calçadão. "Para participar do grupo, basta se aproximar, ter um bom papo e conseguir fazer amizade", garante Dejanira Cursino, 70, tesoureira do grupo. As `meninas' promovem também festas de aniversário, viagens, bailes, além, claro dos diários encontros em que elas colocam as fofocas em dia.

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Jornal do Commercio
Recife - 08.10.99
Sexta-feira